Jovens empreendem cada vez mais

Jovens empreendem cada vez mais

Levantamento do Sebrae mostra que 15,7 milhões de brasileiros entre 18 e 34 anos querem montar negócio

postado em 26/11/2019 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)


Carol Guimarães começou a trabalhar aos 16 anos, quando terminou o ensino médio. Porém, quatro anos depois, a empresa que a empregava faliu, levando Carol para a fila do desemprego. Assim, a menina que não se enxergava na faculdade teve uma ideia: criar uma agência de marketing digital. Sem apoio da família e nenhum orçamento, Carol aproveitou a oportunidade e lançou, no seu próprio quarto, o negócio que significaria toda a sua renda: Divulga Maiz Brazil. Hoje, aos 24, Carol não se imagina fazendo outra coisa.

Não diferente de Carol, Gabriel Belisário, 22 anos, morador da Asa Sul, é idealizador da Fluid, camiseteria que existe há dois anos. De família de funcionários públicos, Gabriel tinha uma participação no grafite brasiliense, inclusive se engajando na modalidade. A insatisfação com o mercado da moda, no qual não se sentia representado, foi a motivação para criar a marca, além de divulgar a arte urbana.

;Eu não sabia com o que trabalhar exatamente [quando saí da escola]. Fui a alguns eventos de empreendedorismo, mas dentro de casa não tive tanto apoio inicialmente, pela minha família ser quase toda de funcionários públicos. Depois de um tempo, percebi que isso [empreendedorismo] é realmente a minha praia. Tive muitos problemas no começo, principalmente para achar bons fornecedores, o investimento inicial foi baixo, por não termos certeza sobre o público-alvo;, avalia o estudante de publicidade e propaganda.

A dona da Divulga Maiz Brazil disse que ir para o mercado de trabalho cedo a ajudou muito, pois não sabia exatamente o que queria fazer. ;Eu não quis fazer faculdade, pois não me identificava com nada. Trabalhei em vários lugares, ainda comecei a fazer administração, mas a empresa me demandava muito e desisti. Isso não quer dizer que eu não estude. Eu viajo muito para aprender coisas novas e diferentes e, assim, posso aplicar da melhor forma na minha empresa;, explica Carol Guimarães.

Histórias como essas são muito comuns na vida dos chamados Millenials, jovens dos anos 2000 que estão conectados com o seu tempo. Levando em conta o índice de desemprego das pessoas dessa faixa etária e as reformas estruturais propostas recentemente pelo governo, a melhor saída para os jovens é empreender.

Levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), realizado em 2017, aponta que o empreendedorismo entre os jovens tem tido um crescimento gradual. Aproximadamente 15,7 milhões de jovens entre 18 e 34 anos estavam levantando informações para ter um negócio ou já têm empresa com até três anos e meio de atividade. Desses, cerca de 30,5%, de idades entre 25 e 34 anos, são os mais ativos nos novos negócios. Logo atrás, com 20,3%, os mais jovens, de 18 a 24 anos, estão envolvidos na criação de novos negócios.

Em Brasília, cerca de 256 mil pessoas em idade a partir dos 14 anos estão desempregadas ou desocupadas, segundo dados da Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta semana. Por outro lado, a pesquisa mostra que pouco mais de 90 mil pessoas, em idade a partir dos 14 anos, são seus próprios patrões.

;A capital federal tem um perfil muito diferente de outras cidades no país. Brasília tem uma cultura muito forte de serviço público. Porém, a crise no setor público e a alta do desemprego têm forçado uma mudança. Antes, os jovens entravam na universidade para fazer concurso público, porque teriam a chance de ser aproveitados sem ter experiência. Com a crise no setor público, esses jovens são jogados para a rua;, avaliou o diretor superintendente do Sebrae-DF, Valdir Oliveira.

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