Competências que vão guiar o aprendizado

Competências que vão guiar o aprendizado

A nova Base Nacional Comum Curricular entra em vigor neste ano e é grande desafio

Simone Kafruni
postado em 12/01/2020 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)


O novo ano letivo traz inovações e desafios para alunos e professores. Em 2020, começa a ser implementada a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para educação infantil e fundamental nas escolas brasileiras. O objetivo é aplicar uma aprendizagem mais completa, com competências socioemocionais, para que os estudantes tenham projetos de vida e desenvolvam também o empreendedorismo.

Pela complexidade, o processo foi dividido em duas fases e, para o ensino médio, a obrigatoriedade será em 2021. O secretário de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Janio Carlos Endo Macedo, explica que, para o ensino infantil e fundamental, os currículos foram adequados à BNCC em 2018. Em 2019, os professores foram preparados. ;Nosso desafio começa em 2020, que será o primeiro ano de implementação nas escolas;, diz.

Macedo esclarece que já existiam parâmetros curriculares, mas o país nunca teve um documento tão aprofundado quanto à BNCC, que estabelece as diretrizes de ensino e as habilidades e competências que devem constar no processo de aprendizado. ;Nossa comparação é com o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, na tradução do inglês para Programme for International Student Assessment), e estamos muito atrasados ;, destaca o secretário.

Para tornar o novo modelo realidade nas escolas, o desafio foi o desenvolvimento dos professores. ;A nossa grande dificuldade não foi estabelecer a BNCC, mas implementá-la, porque é uma nova forma de ensinar;, assinala. Macedo ressalta que a padronização não impede a versatilidade dos currículos.

A preparação dos professores foi fundamental para levar a BNCC às escolas, ressalta o secretário. ;Atuamos em dois aspectos: na formação inicial e na continuada dos professores.; Por isso, também foram aprovadas as Diretrizes Curriculares Nacionais e a Base Nacional Comum de Professores. ;Os novos profissionais serão formados para aplicar a BNCC e as universidades têm dois anos para adaptar os cursos. A validade será em 2021. O passo seguinte é o MEC desenvolver uma metodologia para ver se as instituições estão colocando em prática;, explica Macedo.

O maior desafio, no entanto, foi a formação continuada dos professores que já estão na ativa. ;Preparamos multiplicadores que levaram aos docentes das suas escolas a qualificação. Mas são 2,2 milhões de professores na educação pública dos ensinos fundamental e médio;, destaca. Como as competências de gestão das redes são de estados e municípios, o trabalho do MEC está sendo realizado com o apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

Todos os estados e o Distrito Federal estão com os currículos alinhados à BNCC, garante Macedo. ;A dificuldade maior são os municípios. Cerca de 3,5 mil têm seus sistemas próprios. Desses, 2 mil já resolveram, mas ainda faltam 1,5 mil. É aí que precisamos avançar, para regionalizar o atendimento do MEC. Verba temos. São R$ 200 milhões;, afirma o secretário. Depois, o desafio será o ensino médio, no qual a BNCC será implementada paralelamente à reforma que amplia a carga horária até 2022.

Modernização

A nova base moderniza o ensino, ao explicitar os direitos dos alunos e o que deve ser estudado, explica Alice Ribeiro, do Movimento pela BNCC. ;Isso, por si só, já representa mudança. Quando há clareza dos direitos, são mais fáceis de serem buscados e acompanhados. A BNCC é uma oportunidade incrível de alinhar o ensino e levar coerência ao sistema educacional;.

Alice destaca que a BNCC não é currículo. ;Determina diretrizes para aprendizagens relevantes, comuns e essenciais que unem os brasileiros. Mas não fala como devem ser ensinadas. No Amazonas, o aluno pode aprender sobre velocidade média com um barco; em São Paulo, com o trânsito;, afirma.

A formação dos professores para a implementação da BNCC é complexa, reconhece Alice. ;Mas os passos mais importantes já foram concluídos: a homologação e a construção dos currículos para os ensinos infantil e fundamental. Foi incrível;, ressalta.

Na formação continuada dos professores, Alice diz que as qualificações estão ocorrendo. ;Hoje, 21 redes estaduais já fizeram formação de formadores de professores e multiplicadores. Em 19 delas, já está chegando na ponta. Além disso, todos os materiais didáticos estão alinhados;, afirma.

No caso do ensino médio, lembra que há uma complexidade maior, em função de caminhar com a reforma. ;A aprendizagem é por área do conhecimento e não mais por disciplina, para buscar maior integração do aluno. Hoje, 16 estados estão com versões dos seus currículos para levar à consulta pública. Dez deles estão focados na formação geral básica e seis estão com itinerários formativos (parte flexível do currículo que permitirá aos estudantes aprofundar os conhecimentos em uma ou mais áreas de seu interesse);, frisa.

Obrigatoriedade

Na rede pública, o desafio de implementar a BNCC é enorme, mas ela é obrigatória também na rede privada. Eli Guimarães, coordenador de Redação do Sigma e supervisor do ensino médio, afirma que a BNCC é uma situação legal e todas as escolas têm que seguir. ;A base traz uma parametrização do que os alunos devem aprender. E também foca na educação calcada em competências, um novo perfil;, ressalta.

Como professor, Guimarães diz que a dificuldade, dentro da realidade brasileira, será trabalhar nessa nova perspectiva. ;Quando o foco é no desenvolvimento de competência, muda o perfil da aula e da interação com o aluno. Não houve uma preparação para várias gerações de professores. Então, teremos um trabalho vigoroso e consistente pela frente;, opina. Segundo ele, até hoje, a tradição era ensinar conteúdo. ;Quando passa a ser habilidades e competências, são propriedades diversas. O aluno, nesse novo contexto terá outra dimensão, com foco em empreendedorismo, trabalho cooperativo. Ou seja, o projeto sai da relação dualista professor de um lado e aluno do outro. O estudante entra como sujeito ativo;, assinala.

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