Cidade viva

Cidade viva

ADRIANA BERNARDES adrianabernardes.df@dabr.com.br
postado em 13/02/2020 00:00
Brasília, como todas as grandes metrópoles do país, enfrenta problemas graves de mobilidade urbana. Isso se deve a vários fatores de modo geral. O principal deles é o crescimento desordenado das cidades, seguido da concentração de postos de trabalho no Plano Piloto, das unidades de ensino e de saúde e do comércio.

Bairros ou cidades, no caso do Distrito Federal, que surgiram sem planejamento, tornam-se regiões-dormitórios. Seus moradores acordam cedo, pegam a condução ; de massa ou o transporte individual ; e voltam no fim do expediente somente para dormir. Está criado o movimento pendular de passageiros nos ônibus do metrô e, com ele, o argumento de que não adianta servir esses locais com transporte público ao longo do dia porque dá prejuízo.

A distribuição das cidades e as rodovias que as liga ao centro do poder criam armadilhas para o condutor. Na maioria delas, um acidente é suficiente para parar tudo. Não há para onde fugir. Esta semana, com chuva, problemas nos semáforos e acidentes sem gravidade, o trânsito parou. Onde estavam os agentes do DER, Detran e Batalhão de Trânsito da PM para orientar motoristas?

Brasília, que teve seu nascimento planejado, engasga com os gargalos da falta de mobilidade. E é preciso dar uma resposta rápida e eficiente para os moradores. Se depender das empresas de ônibus e do próprio Metrô, só haverá oferta de transporte público nos horários de pico, quando as empresas conseguem lucrar com passagem cara e serviço ruim ; o metrô menos que os ônibus. Essa é uma área em que o governo precisa atuar com pulso firme para fazer prevalecer os interesses da sociedade.

Um dos caminhos para minimizar os custos de investimento e dar dignidade ao ir e vir da população é executar projetos de mobilidade urbana integrados com as propostas de desenvolvimento socioeconômico da região a ser atendida.

Abrir ruas, construir viadutos e anéis viários atendem a interesses de pouquíssimas pessoas. Esse tipo de obra não é eficaz para promover mobilidade urbana. O alívio é temporário. É preciso tirar do papel projetos de transporte de massa, integrado, confiável e com preço acessível aos usuários.


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