Juro baixo ajuda, diz Mansueto

Juro baixo ajuda, diz Mansueto

Rosana Hessel
postado em 04/07/2020 00:00
O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, reforçou a necessidade de o governo e o Congresso entrarem num acordo para não abandonarem a agenda de reformas, mesmo com a crise da covid-19. Segundo ele, as reformas são cruciais para a retomada do crescimento. O secretário assinalou que o espaço favorável de juros baixos, enquanto os gastos emergenciais no combate à pandemia crescem, é curto, e ele não pode ser perdido.

;Não podemos perder essa janela de oportunidade de juros baixos para aprovar reformas;, defendeu Mansueto, durante videoconferência realizada pelo Itaú BBA para investidores estrangeiros, mediada pelo economista-chefe da instituição, Mario Mesquita.

;Temos uma janela de até dois anos com juros baixos e um período de liquidez elevada no mundo. Ela pode ser curta ou longa, dependendo do que o governo fará nesse período;, destacou Mansueto.

O economista, que deixará a Secretaria do Tesouro no próximo dia 15, lembrou que, sem uma sinalização de que o governo continuará comprometido com a agenda de reformas e com o ajuste fiscal iniciado em 2016, durante o governo Michel Temer, será difícil a retomada dos investimentos.

Mansueto alertou para o risco de Executivo e Legislativo resolverem pegar ;atalhos; para impulsionar o crescimento via aumento de gasto público, para além do que estiver circunscrito às medidas emergenciais de 2020. ;É preciso ser muito cuidadoso sobre o que for aprovado nos próximos anos para não cometermos os erros do passado. Não há mágica para fazer o PIB crescer. É preciso continuar a fazer a lição de casa iniciada em 2016;, afirmou. E reforçou que o Ministério da Economia continua comprometido com a manutenção do teto de gastos.

Na avaliação de Mansueto, a agenda reformista precisa ser consensual entre Executivo e Legislativo em busca de aperfeiçoar a qualidade do gasto público antes de aprofundar o debate sobre um novo programa de assistência social.

Ele lembrou que as medidas emergenciais no combate à crise provocada pela pandemia ampliaram os gastos públicos em R$ 521,3 bilhões, o equivalente a 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse aumento de despesas deverá resultar em um deficit primário do governo central de 11,5% do PIB neste ano, conforme previsões do Ministério da Economia divulgadas na quinta-feira. Com isso, a necessidade de financiamento do governo federal, que inclui a conta de juros, deve alcançar 16% do PIB.

O secretário observou que a dívida pública bruta pode ultrapassar 100% do PIB, mas lembrou que 60% dos títulos no mercado estão indexados à Selic, que está no menor patamar da história, o que dá certo conforto ao Tesouro nesse período.



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação