Glênio Bianchetti morre em Brasília

postado em 19/02/2014 00:00
 (foto: Raimundo Sampaio/D.A Press)
(foto: Raimundo Sampaio/D.A Press)

Nome de destaque das artes plásticas brasileiras, o gaúcho Glênio Bianchetti, de 86 anos, morreu ontem, na capital federal. Gravador, pintor, ilustrador e professor, ele criou o ateliê de arte e o setor gráfico da Universidade de Brasília (UnB). A causa da morte foi hemorragia interna em decorrência de cateterismo realizado no fim de semana, no Hospital Santa Lúcia, na Asa Sul.
Nascido em Bagé, Glênio Bianchetti iniciou os estudos artísticos na década de 1940 sob orientação de José Moraes. Em 1949, ingressou no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, onde foi aluno de Iberê Camargo. Três anos depois, fundou o Clube de Gravura de Bagé ao lado de Glauco Rodrigues e Danúbio Gonçalves. O grupo defendia a popularização da arte por meio da abordagem de temas sociais e regionais. O estilo figurativo realista dos gaúchos ganhou traços expressionistas.


Com os amigos Carlos Scliar e Vasco Prado, Glênio fundou o Clube de Gravura de Porto Alegre. Em 1953, dirigiu o setor gráfico da Divisão de Cultura e Educação da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul. Nesse período, ele ilustrou obras literárias e realizou os primeiros painéis em espaços públicos.

Darcy Em 1962, Bianchetti se transferiu para Brasília a convite do antropólogo mineiro Darcy Ribeiro, idealizador da UnB. Demitido durante a ditadura militar, Bianchetti ficou preso por 27 anos. Readmitido em 1988, lecionou desenho no Instituto de Artes Visuais da instituição. Humanista e politizado, o gaúcho criou um dos cartazes da campanha Diretas já, na década de 1980.
Glênio Bianchetti participou de exposições no Brasil e no exterior. Em 1999, foi homenageado com a retrospectiva de seus 50 anos de carreira, no Palácio do Itamaraty. Documentário dirigido por Renato Barbieri levou sua vida para as telas.

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