Confronto

Invasão e confronto

Ocupantes de área da Ceasa, derrotados no TJ, tentam invadir prédios. PM reage com bombas de efeito moral

Jefferson da Fonseca Coutinho
postado em 20/03/2014 00:00
 (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Foram 15 minutos de tensão. Depois de uma tentativa frustrada de tomada do auditório do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), na Rua Goiás, no Centro de BH, representantes de grupo de sem-teto que ocupa área de propriedade da Ceasa Minas em Contagem tentou invadir um prédio que abriga escritório da Presidência da República na Rua Antônio de Albuquerque, no Bairro de Lourdes, na Região Centro-Sul. Para conter a ação do grupo, o Batalhão de Choque da Polícia Militar reagiu com bombas de efeito moral e balas de borracha. Com o tumulto, prédios residenciais, parte do comércio local, duas agências bancárias e o Minas Tênis Clube baixaram suas portas e reforçaram a segurança. Quatro manifestantes ficaram feridos.

Embora a Justiça tenha determinado a reintegração de posse do terreno à Ceasa e negado na semana passada recurso de advogados da chamada ocupação William Rosa, 110 representantes das 2 mil famílias que estão no lote de 210 mil metros quadrados no Bairro Laguna, em Contagem, estavam mobilizados desde cedo para tentar que a presidência e desembargadores do TJMG os recebessem. Os manifestantes também se diziam revoltados com a informação de que o governo federal não estaria presente em reunião marcada para amanhã, na Cidade Administrativa. Eles defendem que autoridades federais, estaduais e de Contagem participem do encontro para debater a situação das 5,6 mil pessoas sem moradia na ocupação.

Depois de barrados pela PM no TJMG, o grupo ocupou o asfalto da Rua Goiás, fechando o trânsito local. Por volta das 15h30, acompanhados de perto pelo Batalhão de Choque, os 110 manifestantes, entre eles idosos e crianças, subiram a Rua dos Guajajaras e Rua da Bahia até o Bairro de Lourdes. Nos ombros e sob os braços, colchonetes, panelas, botijões de gás, galões de água e mantimentos para ocupar o local pelo tempo que fosse necessário.

Às 16h12, na Rua Antônio de Albuquerque, em frente à portaria do Minas Tênis, um pequeno grupo conseguiu entrar na garagem do edifício do Banco do Brasil e do escritório da Presidência da República, que fica no 11; andar. Contidos pelos policiais, os ocupantes não conseguiram passar do térreo. Do lado de fora, alguns manifestantes partiram em direção dos policiais, que reagiram com bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha. Durante 15 minutos, o clima foi tenso e a situação parecia poder se agravar com a revolta dos manifestantes.

O trânsito ficou fechado nas duas ruas por duas horas. O comando da PM negociou com os líderes do movimento e conseguiu acalmar os mais exaltados, que puxavam o coro com palavras de ordem. Às 17h30, Lacerda dos Santos, à frente do grupo, recebeu pelo celular a informação que encerrou a ocupação da esquina. ;Eles (representantes do governo federal) disseram que vão participar da reunião;, declarou.

Metrô volta a funcionar

Depois de 24 horas de paralisação, o metrô de Belo Horizonte volta a funcionar hoje após acordo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O sindicato dos metroviários (Sindmetro-MG) pediam informações sobre a situação dos trabalhadores após a estadualização do sistema de metrô da capital. Em breve, o comando vai passar da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) para a Metrominas. Mesmo encerrando a greve, o TRT manteve a multa de R$ 50 mil por descumprimento da liminar que ordenou a circulação de 70% da frota nos horários de pico e 50% nos demais horários. Cerca de 230 mil passageiros do metrô ficaram sem o transporte. Na Estação São Gabriel, houve migração para os ônibus do Move, lotando os coletivos no horário de pico.

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