Burocracia encarece imóveis em até 12%

Burocracia encarece imóveis em até 12%

O excesso de leis e de documentos exigidos e a má gestão leva consumidores a gastarem ao menos R$ 18 bilhões a mais por ano

» DIEGO AMORIM
postado em 20/03/2014 00:00
 (foto: Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press - 28/11/13)
(foto: Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press - 28/11/13)


Incompetência, má gestão, leis confusas e contraditórias, atraso tecnológico: é longa a lista de deficiências que atrasam e encarecem os empreendimentos imobiliários no Brasil. Todo o trâmite de licenciamentos e aprovações, incluindo os gastos com documentação, representam, em média, 12% do valor de um imóvel residencial, segundo estudo divulgado ontem pelo setor. Da compra do terreno à entrega das unidades, o chamado custo da burocracia chega a R$ 18 bilhões por ano. E quem paga essa conta é o consumidor.

Entre os entraves elencados, quatro se destacam, na avaliação do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Simão: a ;caótica; aprovação de projetos nas prefeituras (no caso de Brasília, nas administrações regionais); a falta de padronização e critério nos cartórios; o imbróglio do licenciamento ambiental; e mudanças aleatórias em planos diretores. ;A sociedade paga por algo que simplesmente não serve para nada, está enxugando gelo;, comentou.

A curto prazo, apesar de números e constatações fortes do estudo, os representantes do setor sabem que pouco podem fazer para mudar esse quadro. No máximo, conquistarão discursos de apoio, como o protagonizado também ontem pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, durante a apresentação dos dados. ;Estamos fazendo a nossa parte;, disse ela. Desde o ano passado, executivos da construção civil têm batido à porta de autoridades para convencê-los da necessidade de reduzir a burocracia.

Minimizando a ineficiência, o prazo de entrega de imóveis poderia ser reduzido em até dois anos, de acordo com o estudo, coordenado pela consultoria americana Booz & Company. ;Ainda que não consigamos mudar a lei, podemos simplificar o processo;, ponderou o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Rubens Menin.

Demissões à vista


Aproveitando o dia de cobranças e alertas, os representantes da construção civil avisaram, ontem, que o atraso da terceira etapa do Minha Casa, Minha Vida resultará em um freio imediato nas contratações e, em um segundo momento, provocará demissões. ;Todo mundo se preparou, investiu, e as coisas não aconteceram;, disse Simão, que, durante o discurso oficial, preferiu exaltar o programa. ;Dilma tirou o pé do acelerador, e as empresas ficaram assustadas. Esse atraso vai dar um prejuízo enorme;, emendou Menin.


Financiamento
com FGTS


Os financiamentos de imóveis com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) poderão ser transferidos de um banco para outro que cobre juros menores, como já acontece com os demais tipos de empréstimo. A medida foi aprovada ontem pelo Conselho Curador do fundo. No fim do ano passado, o governo estabeleceu novas regras para a chamada portabilidade do crédito, mas faltava definir as condições para o FGTS. A mudança entra em vigor em 5 de maio.

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