Destilados à vontade

Destilados à vontade

A oferta de bebidas alcoólicas oriundas da destilação não se limita ao uísque e à cachaça. Especialistas apresentam o rum, o pisco e a grappa, e ensinam como explorá-los na cozinha

» Flávia Franco
postado em 26/06/2014 00:00
 (foto: Hotel Sumac/Divulgação)
(foto: Hotel Sumac/Divulgação)

Famosos pelo sabor marcante, os destilados são normalmente conhecidos por seus representantes russos, como a vodca; brasileiros, a cachaça; e o tradicional uísque. Mas existem outras bebidas alcoólicas também produzidas a partir da destilação ; o rum, a grappa e o pisco, por exemplo. Mesmo menos celebradas, elas também podem ser ingeridas puras ou em combinações. E com resultados que agradam ao paladar. Especialistas ouvidos pelo Correio ensinam como explorar essas propriedades e ampliar as opções de drinques.

Tradicional destilado italiano, a grappa surgiu a partir do aproveitamento das cascas e das polpas de uvas utilizadas para fazer vinhos. Assim como o uísque, tem uma indicação geográfica. ;A matéria-prima e a localização precisam ser italianas. Se não, o produto não terá as mesmas qualidades e características;, afirma Daniele Nicolini, especialista na bebida.

Assim como os vinhos, a qualidade e o sabor da grappa variam de acordo com a uva usada na produção. ;O gosto não é parecido. O simples fato de um produto ser fermentado e o outro destilado faz muita diferença no resultado final. Acredito que a grappa seja uma bebida bastante única;, garante o italiano. A comparação possível, segundo Nicolini, é com uma bebida francesa chamada eau de vie de marc. Ainda assim, Nicolini reconhece que destilados de outros países têm características semelhantes, como o orujo espanhol. ;Existem outras aguardentes de uva, assim como alternativas que destilam outras frutas, mas o bagaço de uva é mais bem explorado pelos italianos;, garante.

Uma bebida proveniente da América do Sul que conquistou espaço no mercado internacional é o pisco, destilado que gera controvérsias sobre a origem. Chile e Peru disputam o posto de inventores do principal ingrediente de um dos drinques mais badalados entre os brasileiros, o pisco sour. Independentemente do local de origem, a destilação acontece após a fermentação de uvas. Há, no entanto, diferenças quanto à classificação. Os chilenos diferenciam as bebidas conforme o teor alcoólico delas. Os peruanos usam o tipo de uva empregado.

Irmão da cachaça
No mundo dos destilados, a cachaça brasileira tem um irmão: o rum. Também originária da cana-de-açúcar, a bebida é produzida em diversos países latinos, como Cuba, Porto Rico e Jamaica, mas também vem de uma região francesa presente em meio às ilhas da América Central: Martinica. Existem, no entanto, variações sobre qual parte da cana é usada na preparação da bebida: há quem opte pelo melaço e quem escolha o caldo de cana.

Em Martinica, segundo o francês Emmanuel Becheau, usa-se apenas o caldo de cana, chamado lá de suco da cana-de-açúcar. Dessa forma, o rum fica ainda mais semelhante ao tradicional destilado brasileiro. ;Uma das divergências é que o processo de extração do caldo é mais rápido. O suco é feito cerca de uma hora depois que corta a cana para preservar o sabor. Em seguida, a bebida é fermentada antes de ser colocada nos tanques de inox para a destilação;, diferencia. Os sabores, ressalta Becheau, também são distintos. ;O rum tem algumas notas de flores brancas, frutas tropicais, como abacaxi e goiaba, e, claro, um gostinho típico da própria cana;, compara.

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