A conversa fiada de Felipão

A conversa fiada de Felipão

Treinador repete o discurso das últimas entrevistas, tenta demonstrar bom humor e diz que o trabalho de um ano e meio à frente da Seleção foi "bom"

RODRIGO ANTONELLI VÍTOR DE MORAES
postado em 12/07/2014 00:00
 (foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)

Três dias depois da derrota por 7 x 1 para a Alemanha, que tirou o Brasil da disputa pelo hexa de forma vexatória, o técnico Luiz Felipe Scolari apareceu um pouco menos nervoso, na sala de coletivas do Estádio Mané Garrincha, no início da noite de ontem. O comandante brasileiro até esboçou momentos de descontração nos 32 minutos de entrevista, mas viu uma plateia mais desconcertada do que empolgada com suas investidas humorísticas. Apesar disso, Felipão não deixou de lado as convicções de sempre e repetiu o discurso pronto das últimas entrevistas.

Bombardeado por perguntas sobre seu futuro, ele se apoiou novamente no título da Copa das Confederações, em 2013, para dizer que ;o trabalho à frente da Seleção Brasileira no último ano e meio foi bom; e não descartou continuar no cargo. Do futuro, Felipão só quis falar sobre os planos pessoais. Como fez depois da derrota de terça-feira, o técnico da Seleção não disse se sai. Mas lembrou-se da conta que precisa pagar. Não o débito que diz não ter com o torcedor brasileiro, mas com o banco. ;Vou ajeitar minha vida pessoal, que foi deixada de lado esses dias;, despistou Felipão.

A primeira irritação veio logo na segunda das 11 perguntas. Questionado se tem clima para continuar no comando da equipe, o técnico não esperou nem a repórter terminar de falar para dar a primeira resposta atravessada. ;Não tenho que ficar discutindo isso, ainda mais com jornalista.; Balançando a cabeça como quem repreende o filho travesso, Felipão disse não entender como as pessoas ;conseguem ver apenas o resultado de um jogo;.



A aparente confiança no próprio trabalho, no entanto, parece cair por terra quando o capitão Thiago Silva é perguntado sobre o futuro do treinador. Inquieto e mais uma vez dando sinais de reprovação, ele se adiantou ao zagueiro para reclamar. ;Pelo amor de Deus...; Para tentar desfazer a saia-justa, Thiago Silva elogiou o, por enquanto, chefe. ;Não é porque ele está ao meu lado, mas já falei ao grupo, na frente dele, o quanto confio nele.;

Adversário
Embora tente convencer de que está motivado para o jogo de hoje, Felipão deixou claro que não. Os jogadores se apoiam na derrota para a Alemanha e tentam mostrar empolgação com a disputa pelo terceiro lugar, mesmo que isso não se reflita na maneira como falam. ;Nervoso não estou, até porque o objetivo principal não pode mais acontecer. O que o torcedor e nós sentimos não será modificado de um dia para o outro. Sei que será relembrado por muito tempo;, admitiu.

A Holanda, adversária de logo mais, foi assunto apenas três vezes durante a coletiva. Uma delas nada tinha a ver com a disputa do terceiro lugar, mas com uma ; para variar ; reclamação de Scolari. O assunto era o fechamento ou não dos treinos antes e durante o Mundial. ;Vem cá, se eu abro, me criticam. Se eu fecho, me criticam. Não dá mais para fazer treino secreto. Hoje (ontem), há pouco, a Holanda estava treinando, e tinha um helicóptero lá em cima;, citou Felipão, se esquecendo de citar que o treino holandês foi aberto à imprensa.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação