Corrida eleitoral em nome da fé

Corrida eleitoral em nome da fé

A disputa política deste ano tem 30 evangélicos e nove católicos declarados em busca dos votos dos fiéis. Todos defendem a "família tradicional" e fazem da luta contra o aborto e contra o casamento civil homossexual bandeiras firmes

» ADRIANA BERNARDES » ALMIRO MARCOS » ARTHUR PAGANINI
postado em 08/09/2014 00:00
 (foto: Reprodução da rede social Google +)
(foto: Reprodução da rede social Google +)

Historicamente, religião e política caminham juntas. No Distrito Federal, os votos de 2,2 milhões de brasilienses católicos e evangélicos são disputados até mesmo dentro das instituições religiosas, um claro flagrante de desrespeito à Lei Eleitoral. Com meta traçada e pleitos bem definidos, os seguidores da doutrina protestante planejam ocupar 25% das vagas da Câmara Legislativa, ou seja, seis das 24 cadeiras. Já a vertente católica é menos incisiva. Os representantes pregam o voto consciente e negam haver uma meta de ampliação representativa no Poder Legislativo.

O Correio apurou que, este ano, os evangélicos lançaram pelo menos 30 candidatos. Desse total, 25 disputam o mandato de deputado distrital. Entre os católicos, há pelo menos nove na disputa, sendo que seis pretendem ocupar vagas na Câmara legislativa (veja quadro). O cenário nacional deve impulsionar a primeira corrente. Isso porque Marina Silva (PSB), da Assembleia de Deus, lidera as intenções de voto à Presidência, segundo pesquisas recentes.


Para garantir os votos do rebanho, não há regras rígidas entre os evangélicos. O líder de cada templo define se o candidato pode fazer campanha durante o culto, se é expressamente proibido ou se ele pode subir no púlpito para fazer uma oração, explica o presidente do Conselho de Igrejas e Pastores Evangélicos do Distrito Federal e Região Metropolitana, pastor Antônio Nascimento. Já a Igreja Católica não permite campanha dentro das instituições religiosas (leia Palavra de especialista).

Constitucionalmente, o Brasil é um Estado laico. Assim, deve respeitar todos os credos e também o ateísmo. E mais: em qualquer dos três Poderes ; Executivo, Legislativo ou Judiciário ;, não é permitido que as decisões sejam norteadas por dogmas religiosos (leia Para saber mais). No horário eleitoral gratuito, os evangélicos defendem a ;família tradicional; e são contrários a qualquer tipo de aborto. As bandeiras são praticamente as mesmas no DF. O pastor Antônio Nascimento citou a luta dos candidatos fiéis eleitos em outubro. ;A missão deles é promover a regularização dos templos religiosos, defender a família tradicional e a ética na política.; Perguntado sobre o que é família tradicional, o pastor esclarece: ;somos contra o homossexualismo, contra qualquer tipo de aborto e contra a pedofilia;.


Se os evangélicos conseguirem bater a meta de ocupar seis cadeiras, será a maior bancada desse segmento religioso eleita no DF.

Católicos
A Igreja Católica tenta manter um discurso mais institucional em relação aos interesses eleitorais. Normalmente, o discurso é mais genérico, pedindo voto consciente aos eleitores cristãos. Mas, na prática, os católicos também se envolvem na disputa pelos votos. Ainda que os pedidos de apoio a candidatos não sejam tão deliberados como os feitos pelos evangélicos, também existe a tentativa de demarcar territórios e feudos dentro da política.


Prova disso foi a eleição do distrital Washington Mesquita em 2010, então no PSDB. Ele contou com o apoio declarado do padre Moacir Anastácio ; organizador da festa de Pentecostes ;, e recebeu 21.111 votos. A representatividade o levou para a base do governo Agnelo Queiroz (PT) e deu direito de indicação do chefe da Administração Regional de Taguatinga. No ano passado, o então administrador da cidade, Carlos Jales, foi preso acusado de vender alvarás. Outro eleito para a Câmara Legislativa identificado com o público católico foi o policial civil Cláudio Abrantes (PT). Ele interpretou Jesus Cristo na via-sacra do Morro da Capelinha.

Em entrevista ao Correio em 1; de setembro, dom Raymundo Damasceno, presidente da Confederação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), afirmou que padres devem, em primeiro lugar, atender às obrigações sacerdotais. Segundo o líder católico, a discussão política sobre os problemas que afetam os cidadãos deve ser feita para oferecer ao fiel elementos de discernimento. Ele afirmou que os católicos, políticos ou não, ;são convidados a defender valores cristãos, humanos e éticos.;




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