Em jogo, mais do que uma Olimpíada

Em jogo, mais do que uma Olimpíada

FERNANDO AZEVEDO E SILVA Presidente da Autoridade Pública Olímpica
postado em 17/09/2014 00:00


Com inúmeras modalidades esportivas, mais de 200 países e a presença de cerca de 15 mil atletas, a realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos no Rio de Janeiro, em 2016, tem sido extraordinária experiência de planejamento e gestão tripartite. Município, Estado e União atuam de forma colaborativa e atentos ao calendário para aproveitar cada segundo dos dois anos que nos separam da cerimônia de abertura.

Independentemente do suor, sorrisos e lágrimas que virão dos atletas, a Olimpíada no Rio coloca em jogo a capacidade do poder público ; em parceria com a iniciativa privada ; de honrar compromissos internacionais: receber atletas, delegações, chefes de Estado e turistas em nossa casa e oferecer condições plenas para a 30; edição dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.

O evento é compromisso assumido pelo Estado brasileiro a partir da candidatura vitoriosa do Rio em 2009. Com centros de treinamento que vão se consolidando em várias cidades, e atletas fazendo adaptações em diferentes lugares, os Jogos deixarão marcas positivas no país. A campanha olímpica e candidatura vitoriosa do Rio de Janeiro para 2016 não teve foco exclusivamente no charme e nas belezas naturais da Cidade Maravilhosa, mas na possibilidade de transformação da urbe e de solução dos principais problemas. Nesse aspecto, muita coisa está sendo feita.

Uma das maiores lições aprendidas com a experiência da Copa do Mundo foram os resultados obtidos com o trabalho planejado e integrado entre os mais diversos órgãos públicos. A despeito das diferenças da cultura organizacional de cada órgão, das peculiaridades de gestão e das especificidades da dimensão política, a cooperação do poder público prevaleceu. O ganho só foi possível porque os atores internalizaram que ;o todo supera a soma das partes;. Envolvidos no mesmo sentido de missão, imbuídos de propósitos comuns e afinados quanto ao resultado esperado, transformaram as ações em um dos pilares do sucesso dos Jogos.

Acima e antes de qualquer viés, cada agente público assumiu a missão de servir à sociedade e abraçou o desafio de mostrar para o mundo a competência do Estado na gestão de megaeventos internacionais. No caminho para 2016, as bases estão assentadas e o planejamento construído incorpora as pressões do tempo, a dinâmica de uma sociedade democrática e a saudável vigilância das instituições de controle e fiscalização. O planejamento requer habilidade para lidar com conflitos, senso de urgência na tomada de decisões e volume de informações consistentes para avaliações corretas sobre a capacidade e etapas de execução. Em resumo, o desafio diário tem sido transformar incertezas em previsibilidade, e projetos em realidade.

Cabe ressaltar, de modo especial, a integração do consórcio público com o Comitê Rio 2016. O diálogo constante e a participação nos fóruns de trabalho permitem maior sintonia operacional e favorece a governança. A boa prática de integração também se materializa na Matriz de Responsabilidades. O documento base é fruto do trabalho entre as equipes da Autoridade Pública Olímpica, Ministério do Esporte, Governo do Estado do Rio e Prefeitura do Rio de Janeiro. A Matriz engloba os compromissos ligados aos Jogos assumidos pelos entes governamentais, basicamente no dossiê de candidatura. A Matriz aponta, também, modelo olímpico inédito: a participação expressiva de recursos privados.

Gerenciar o presente, vigilante, e ao mesmo tempo planejar a boa gestão do futuro são as atitudes compartilhadas entre os entes públicos para corresponder às expectativas e exigências da sociedade. O brasileiro já demonstrou, com calor humano e empatia, que sabe receber os povos do mundo. Ao mesmo tempo, espera que o esforço despendido no planejamento produza benefícios perenes. Aguarda um legado olímpico com poder de melhorar a qualidade de vida da população.

A Olimpíada é um evento que dialoga diretamente com mensagens generosas e construtivas como paz, diversidade, cooperação, respeito e superação. Certamente vamos comemorar mais uma vez que o país é capaz de boa gestão e eficiência em planejamento e execução. Essa é a nossa missão, governos e parceiros privados, movidos por conhecida máxima militar: ;Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos;.


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