Doenças da pobreza negligenciadas

Doenças da pobreza negligenciadas

postado em 30/09/2014 00:00


Uma das mais sérias preocupações dos brasileiros se refere à saúde. Não lhes falta razão. O país oferece sistema universal de acesso, mas não garante a concretização do direito. Faltam recursos materiais e humanos. A má gestão acrescenta outras mazelas à carência de profissionais, leitos, remédios, equipamentos. Além de desperdiçar verbas e tempo, joga vidas no ralo da incompetência.

É nesse cenário que devem ser vistos os dados referentes às doenças negligenciadas. Entre elas, sobressaem esquistossomose, malária, tuberculose, diarreia. São enfermidades que não despertam o interesse de laboratórios. De olho em retornos generosos, a indústria farmacêutica não investe em pesquisas que busquem respostas eficazes para moléstias que acometem parcelas pobres da população.

A saída é o próprio país tomar medidas aptas a atuar em duas frentes. De um lado, acionar cientistas nacionais para encontrar drogas que curem ou tratem com mais eficácia males que acometem sobretudo adultos e crianças das regiões mais carentes do território. De outro, investir na prevenção. Manter a saúde, além de mais barato e duradouro, evita danos que sobrecarregam a previdência e o equipamento hospitalar.

É inaceitável, por exemplo, que sobrevivam pústulas que se arrastam desde Mem de Sá e Tomé de Souza. Saneamento básico não é luxo. Prover as moradias de esgoto e água potável significa poupar o cidadão de doenças evitáveis. É o caso da diarreia. Segundo o Ministério da Saúde, aumentou o número de casos mortais de crianças. Registraram-se nada menos de 4 mil óbitos no ano passado.

As vítimas são, sobretudo, meninos e meninas com até 5 anos de idade. Além da negligência oficial, a falta de informação responde pela calamidade. Se conhecidas, soluções caseiras ; baratas e eficazes ; poderiam ter poupado boa parte das vidas. A tuberculose, conhecida como mal do século nos anos 1800, tem resposta positiva no Brasil. Os centros de saúde oferecem atendimento altamente eficaz. Profissionais qualificados e remédios gratuitos são capazes de levar à cura.

Impõe-se, pois, uma pergunta. Por que o número de infectados se mantém quase inalterado há quatro anos? Em 2013, houve 71 mil registros contra 70 mil no triênio anterior. Más condições de moradia, com ventilação inadequada, contribuem para a proliferação do bacilo. Daí a razão por que presídios concentram grande número de enfermos que, por sua vez, multiplicam a população contaminada.

São dados constrangedores que põem o Brasil em situação desconfortável. Membro do clube das 10 maiores economias do mundo, o país apresenta taxas que o alinham às nações subdesenvolvidas e em desenvolvimento ; cada vez mais distante das desenvolvidas. O revoltante é que temos a receita. Mas falta a decisão de aviá-la.



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