Garis voltam hoje ao trabalho

Garis voltam hoje ao trabalho

» GUILHERME PERA
postado em 10/10/2014 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

O brasiliense enfrentou dois dias de sujeira espalhada na capital federal. Funcionários da Sustentare, empresa responsável por um terço ; cerca de 900 toneladas por dia ; da coleta de lixo do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), cruzaram os braços às 7h da última terça-feira por não receber salário nem tíquete-refeição. A terceirizada, que afirmava não ter recebido repasse do governo, acertou as contas com o SLU e pagou aos trabalhadores. Hoje, os garis voltam aos trabalhos.


Antes do pagamento, o tom era de revolta entre os operários. Para o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana do Distrito Federal (Sindlurb-DF), Lucimar da Fonseca, a rotina de um funcionário da limpeza pública é suficientemente desgastante com o salário em dia. ;É complicado acordar às 4h30, pegar ônibus lotado, trocar de uniforme, trabalhar no sol a pino, receber intimidações de pessoas que têm preconceito com quem mexe no lixo;, descreveu. ;Tudo isso sem receber, então, é inconcebível;, continuou.


Após afirmar, por meio da assessoria de comunicação, que ;não havia faturas em atraso;, pois o ;repasse de agosto tinha sido feito em setembro, há menos de 30 dias;, o SLU informou o pagamento, às 15h, e a Sustentare confirmou o recebimento no fim da tarde. À noite, o Sindlurb deu a notícia do fim da paralisação. ;Dinheiro na conta, volta ao trabalho. Só não dá para começar hoje (ontem), pois os coletores da noite precisam do vale-transporte e só receberam no fim da tarde;, justificou Fonseca.

Prejudicados
O maior prejudicado com a situação foi o morador da capital federal. O lixo orgânico, cuja coleta é de responsabilidade da Sustentare, juntou-se aos santinhos, placas e faixas utilizados nas eleições ainda espalhados em diversos pontos do DF. ;O sinal mais claro da deterioração do serviço público é o lixo;, disse o economista Luiz Lobo, 64 anos, enquanto apontava para uma fileira de sacolas pretas na 411 Sul. ;Esse não é um problema pontual. Lixo é uma questão de saúde pública, um serviço fundamental mas isso parece ser ignorado, já que, por exemplo, a coleta seletiva nem sequer foi implementada de fato;, emendou.


Se a coleta de lixo é questão de saúde pública, o recolhimento próximo aos locais destinados ao compate de doenças e à recuperação de pessoas não pode ser deixado de lado. Mas nem o Setor Hospitalar Sul escapou. Na mesma semana em que funcionários e pacientes tiveram de comer fora do trabalho pela falta de repasse de verbas às empresas terceirizadas, os dejetos ficaram acumulados em frente aos hospitais.


;(Lixo na rua) é um foco de contaminação. A aparência e o cheiro pioram o ambiente e, convenhamos, estamos em frente a uma concentração de hospitais;, disse o médico Rodolfo Pinke, 31 anos. ;Creio que o descaso do governo, sem chance de reeleição, só vai aumentar até o fim de 2014. Os hospitais públicos estão um caos. Ontem (quarta-feira), uma enfermeira teve que sair e comprar lanche para todo mundo, porque não tinha comida;, continuou o cirurgião vascular. Os garis, ao menos, voltaram às atividades.

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