Juiz mantém Duque preso e quebra sigilo

Juiz mantém Duque preso e quebra sigilo

Corporação acredita que pessoas ligadas a uma das empreiteiras investigadas foram informadas com antecedência da ação deflagrada na madrugada de sexta-feira

JOÃO VALADARES EDUARDO MILITÃO
postado em 19/11/2014 00:00
 (foto: Márcia Foletto/Agência O Globo - 14/11/14)
(foto: Márcia Foletto/Agência O Globo - 14/11/14)

A Polícia Federal relatou à Justiça Federal do Paraná que houve vazamento, no âmbito da Operação Lava-Jato, de informações relativas aos cumprimentos de mandados de busca e apreensão na construtora OAS. De acordo com a PF, ainda durante a madrugada de sexta-feira, no momento em que os agentes chegaram ao local, já havia três advogados da empreiteira nas dependências da empresa. ;No curso do cumprimento dos mandados de busca e apreensão na empresa OAS, os policiais foram surpreendidos com a presença de três advogados no local;, explica o delegado da PF Márcio Adriano Anselmo.

Ontem, o juiz Sérgio Moro determinou que continuem na cadeia, agora em prisão preventiva, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque; os executivos Dalton Avancini e João Ricardo Auler, da Camargo Corrêa; José ;Léo; Pinheiro e Mateus Coutinho de Sá Oliveira, da OAS; e Ricardo Pessoa, da UTC Constram. Permanecem presos na mesma modalidade Eduardo Leite, da Camargo Corrêa; Agenor Medeiros e Ricardo Breghirolli, da OAS. O juiz determinou a soltura de Alexandre Portela, da OAS; Ildefonso Colares, da Queiroz Galvão; Othon Zanóide e Valdir Carreiro, da Iesa; do agente da PF Jayme ;Careca; Oliveira e Walmir Pinheiro Santana. Apesar de soltos, eles deverão entregar os passaportes, manterem os endereços e comparecerem a todos os atos do processo. O lobista Fernando Baiano continuará preso por enquanto.

Sigilo bancário

Ontem à tarde, o magistrado determinou ao Banco Central a quebra do sigilo bancário de 15 dos 23 presos na sétima fase da operação. A ordem do juiz atinge o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, os empresários Erton Medeiros Fonseca, Ildefonso Colares Filho, Othon Zanoide de Moraes Filho, Fernando Antonio Falcão Soares, Valdir Lima Carreiro, Dalton dos Santos Avancini, Walmir Pinheiro Santana, José Ricardo Nogueira Breghirolli, Eduardo Hermelino Leite, Sérgio Cunha Mendes, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Ricardo Ribeiro Pessoa, João Ricardo Auler, José Aldemário Pinheiro Filho e Gerson de Mello Almada.

Além dos executivos das empreiteiras, Moro determinou a quebra do sigilo das empresas D3TM ; Consultoria e Participações Ltda., Technis Planejamento e Gestão em Negócios Ltda. e Hawk Eyes Administração de Bens Ltda.

Propina

O advogado Marcelo Leonardo, que defende o vice-presidente executivo da Mendes Júnior, Sérgio Cunha Mendes, declarou à imprensa, na tarde de ontem, que o cliente pagou R$ 8 milhões ao doleiro Alberto Youssef entre julho e setembro de 2011. A jornalistas, ele afirmou que Youssef foi apresentado à empresa pelo deputado federal José Janene (PP-PR), morto em 2010. Ele salientou que seu cliente não sabia informar o destino da propina, depositada em contas de companhias do doleiro. ;A empresa que não fizesse pagamento não receberia a fatura a que teria direito legitimamente;, afirmou. Ele explicou que o suborno era referente a um contrato da construtora para obras da refinaria Presidente Vargas (Repar), em Araucária, região metropolitana de Curitiba.

O diretor de Óleo e Gás da Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, havia confirmado, na segunda-feira, que a empresa aceitou pagar propina após sofrer ameaças de represália em contratos com a petrolífera.

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