Suíça confisca R$ 1,3 bilhão

Suíça confisca R$ 1,3 bilhão

Recursos estavam em contas de nove suspeitos de desvios na Petrobras. Um deles é o ex-diretor Renato Duque, preso na segunda-feira

EDUARDO MILITÃO
postado em 19/03/2015 00:00
 (foto: João Américo Mezzeth Filippi/PGR)
(foto: João Américo Mezzeth Filippi/PGR)

O Ministério Público da Suíça confiscou US$ 400 milhões (R$ 1,3 bilhão) de dirigentes da Petrobras, empresas, executivos de empreiteiras e operadores envolvidos na Operação Lava-Jato. Os procuradores suíços abriram nove inquéritos criminais por suspeita de lavagem de dinheiro originado de corrupção. A informação foi divulgada ontem pelo procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, em entrevista coletiva com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Os procedimentos se referem a oito cidadãos brasileiros e a uma pessoa cuja nacionalidade não foi divulgada. Lauber disse que não poderia informar os nomes dos investigados, mas, conforme mostrou o Correio ontem, um deles é o ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras Renato Duque, preso na segunda-feira, que prestará depoimento na CPI da Petrobras hoje. Os suíços localizaram mais de 300 contas em 30 bancos do país europeu ; aparentemente, ali transitaram os pagamentos de propina atualmente investigados pelo Brasil. São analisadas mil transações bancárias suspeitas.

A apuração começou após a unidade de informações financeiras da Suíça ; semelhante ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ; identificar 60 movimentações bancárias suspeitas. Na semana passada, o país europeu liberou US$ 120 milhões (R$ 390 milhões) para o Brasil, dos quais US$ 90 milhões (R$ 292,5 milhões) já foram transferidos.

Segundo o procurador-geral da Suíça, o trabalho é feito em cooperação com o Ministério Público brasileiro e tramita rapidamente em comparação a outros acordos de cooperação internacional. O dinheiro retornou ao Brasil em cerca de um ano, prazo considerado mais célere do que a média de ações do tipo. Para Lauber, essa velocidade torna o caso Petrobras especial.

Na entrevista coletiva, ao lado de Janot e do secretário de Cooperação Internacional da Procuradoria, Vladimir Aras, Lauber demonstrou indignação. ;Não toleramos o uso do sistema financeiro suíço de forma indevida. A corrupção e a lavagem de dinheiro são crimes e não devem prevalecer;, afirmou. Ao todo, o Ministério Público suíço já confiscou 5,5 bilhões de francos suíços (cerca de R$ 18 bilhões). Esse valor se refere a várias investigações de outros países, não somente à Petrobras.

Irritação
Sobre outro episódio que ganhou destaque nas últimas semanas, Lauber considera ;um pouco irritante; que os dados bancários do HSBC estejam espalhados pelo mundo. Apuração do Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ) localizou diversos empresários, celebridades e personalidades do mundo com contas na filial do banco na Suíça suspeitos de irregularidades. Entre eles, há mais de 8 mil brasileiros.

Autoridades de diversos países investigam supostas evidências de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo esses correntistas. Segundo o procurador-geral suíço, o Ministério Público local não apura o caso. No entanto, ele disse que as autoridades fiscais do país europeu analisam eventuais casos de sonegação.

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