Cabeça colorida

Cabeça colorida

postado em 17/05/2015 00:00
 (foto: Sergei Karpukhin/Reuters
)
(foto: Sergei Karpukhin/Reuters )

Segundo uma pesquisa da L;Oreal de 2013, 78% das brasileiras tingem os cabelos e a coloração é o segundo serviço mais realizado no salão de beleza. E a brasileira não colore os fios apenas para disfarçar os grisalhos. Ela quer ter mechas, reflexos e luzes. Ainda de acordo com o levantamento, 50% das loiras são naturalmente morenas.

A tintura já mudou muito desde que foi inventada, em 1907, pelo químico Eug;ne Schuller, criador da Sociedade Francesa de Tintura Inofensiva para os Cabelos, que hoje se chama L;Oréal. À época, era apenas um produto que dava reflexos dourados aos fios. Em 1929, Eug;ne criou um pó descolorante. ;Foi uma revolução. As mulheres estavam presas ao próprio cabelo e poder ser loira como as estrelas de cinema foi um marco importante, uma emancipação;, conta Maya Colombani, diretora de Desenvolvimento de Produtos Especiais da marca. No início do século passado, ainda era necessário descolorir os fios para repintá-los.

Somente no começo dos anos 1950, foi uma tinta que clareava e recoloria o cabelo ao mesmo tempo. Anos depois, veio o colorante, que saia em seis lavagens. Em 1978, lançou-se um produto capaz de mudar a cor do cabelo sem descolorir e que, de fato, pintava os fios brancos. No começo da década de 1990, veio o ton sur ton, que não transformava completamente o cabelo, apenas mudava de forma sutil e natural, não cobrindo 100% dos brancos. ;A coloração permanente é resultado de uma reação de oxidação entre paraminofenóis, metaminofenóis, fenilenodiaminas e peróxido de hidrogênio. A raiz deve ser retocada a cada quatro a seis semanas e alisamentos ou permanentes devem ser feitos duas semanas antes da coloração;, explica a tricologista Alessandra Juliano.

Os produtos mais modernos não contêm amônia, que era utilizada para abrir as cutículas e facilitar a penetração do pigmento na parte interna do fio. As tinturas são feitas com uma combinação de óleos, que tem o mesmo efeito da amônia, mas evitam o desgaste dos fios e hidratam os cabelos. Talvez seja essa a maior revolução nas tintas para cabelos. Se antes a tinta servia apenas para mudar a cor dos fios, muitas vezes danificando-os, hoje, os produtos promovem verdadeiros tratamentos. Na fórmula, vários agentes garantem hidratação, emoliência, nutrição e brilho.

;As grandes marcas se preocupam com a qualidade do fio, é quase um tratamento ; e alguns tonalizantes são usados exatamente para dar mais brilho ao cabelo. A tinta não destrói mais o cabelo. Se bem aplicada, sem excesso e com frequência de química baixa, os fios permanecem saudáveis;, explica o colorista Marcos Meireles.

Daqui para a frente, a expectativa é que as tinturas sejam cada vez menos nocivas aos fios. Pesquisadores da Los Alamos National Laboratoires e professores da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, publicaram em abril do ano passado um estudo que promete ser o futuro da coloração. Usando um raio de íons, eles conseguiram imprimir um nano-padrão no fio e fazer com que a luz refletida gerasse uma cor específica. Como o procedimento custa cerca de um milhão de dólares, os cientistas começaram a pensar em uma alternativa. Uma das ideias é criar uma chapinha que produza diferentes níveis de difração da luz sobre os fios.

A polêmica do leave-in
Durante muito tempo, o leave-in foi a salvação dos cabelos danificados. Depois da lavagem, o produto sem enxágue garantia uma textura mais macia e aparência cheia de brilho. Mas o uso não é completamente aceito. Enquanto alguns especialistas acreditam que o produto crie uma barreira contra às agressões externas, outros acreditam que ele não passa de uma maquiagem.
;Acredito que o uso constante deposita o produto no cabelo de uma forma que o xampu comum não remove. O silicone, por exemplo, cria uma capa ao redor do fio que é prejudicial, pois vai ressecando, tornando o cabelo quebradiço. Quando os cabelos são bem lavados, tratados e nutridos, o uso do leave-in é completamente dispensável;, afirma Gabriela Faula. O único consenso é quanto aos protetores térmicos, que criam uma barreira protetora contra o calor direto da chapinha ou do babyliss.


A cor da vez

Não existe muita moda em termos de coloração global, aquela que pinta todos os fios do cabelo. A cor depende muito da etnia de cada um. ;O cobre foi uma tendência muito forte mas que não chegou a Brasília por conta da nossa água, que tem muito cloro, e acaba desbotando o cabelo. São os marrons e tons achocolatados e caramelados que fazem mais sucesso por aqui;, explica Marcos.

A tendência vem mesmo em mechas e luzes. Nos últimos anos, as californianas, mechas claras nas pontas do cabelo, fizeram sucesso, seguidas do efeito ombré, que imitava o cabelo de praia, criando uma variação harmônica entre as raízes escuras e as pontas claras. Hoje, o efeito desejado é mais natural.

O tartaruga, que mescla castanhos, mel, marrom e dourado, como a casca do animal, é a nova moda. Os fios são ressaltados com luzes ; algo parecido com o ombré, mas com tons mais escuros, que não demandam descoloração. ;A mulher quer um cabelo mais natural, mais chique, que tenha profundidade e a deixe um pouco mais livre de ter que ir ao salão retocar rotineiramente. Antes, eram usados tons muitos frios, pratas, mas que acabam estragando o cabelo e cuja manutenção em casa é complicada. A coloração do momento vem em tons quentes, caramelos, dourados;, afirma o colorista.

Passando a tesoura
Quando se fala em corte, a tendência do momento é o long bob, que se caracteriza por ser um pouco acima ou abaixo do ombro, sempre com base reta. ;Ele usualmente é com franja longa e leve movimento nas pontas, mas nada impede um franjão mais curto e repicado. Ele surgiu para tirar as pontas claras típicas das californianas;, explica o cabeleireiro Ricardo Maia. Para quem prefere os cabelos curtos, o joãozinho e o chanel na altura do queixo, continuam em alta.


O que há de novidade

Tecnologia

  • Nanotecnologia ; Para que a hidratação dure mais e seja mais eficiente na absorção, vários produtos são formulados com nanotecnologia, ou seja, com partículas pequenas o suficiente para levar os ativos até camadas mais profundas do fio. Alguns salões disponibilizam uma máquina que transforma ampolas de tratamento em um spray, permitindo que a hidratação penetre o máximo possível. ;Dessa forma, o produto consegue nutrir a estrutura por dentro, enquanto sela os fios;, explica o cabeleireiro Laécio de Jesus, do salão Hélio DIff.
  • Corte bordado ; Remove as pontas duplas sem reduzir o tamanho dos fios. É possível fazer o corte manualmente, ao se dobrar uma mecha, os fios que sobem devem ser cortados. A novidade é uma m

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