Crise aprofundará rombo do INSS

Crise aprofundará rombo do INSS

postado em 20/06/2015 00:00

O volume de contribuições à Previdência Social diminuirá com o aumento do desemprego em 2015. Com isso, o deficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), projetado pelo governo em R$ 72,8 bilhões, deve aumentar ainda mais porque não há expectativa de queda nas despesas. Pelas contas de alguns analistas, o rombo previdenciário pode chegar aos R$ 75 bilhões. Além da queda na arrecadação, a expectativa é de que mais segurados peçam aposentadoria com a crise no mercado de trabalho.

O advogado trabalhista José Eduardo Pastore explicou que a Previdência é extremamente sensível às oscilações no mercado de trabalho formal, e mais desocupação significa menos contribuições ao INSS. Além disso, segundo ele, as empresas em dificuldade relutam a demitir, mas quando o fazem também só pensam em repor a vaga quando há expectativa de melhora da economia. Com isso, os pagamentos ao governo para garantir a aposentodoria dos funcionários reduzem significamente. ;O desemprego é um dos últimos indicadores econômicos a registrar piora em momentos de recessão, e, quando a bonança volta, também demora a dar sinais de recuperação;, disse.

Pastore ainda afirmou que o pessimismo entre os empresários é grande porque o aumento do desemprego afeta os negócios. Ele avaliou que sem pessoas empregadas não é possível realizar negócios, e o pagamento de tributos e contribuições também despenca. ;O momento econômico ruim influencia no mercado de trabalho, prejudica a previdência e ainda traz prejuízos para a realização de investimentos e geração de riquezas. O governo precisa arrumar a casa;, sinalizou.

Para o especialista em previdência Renato Follador, não há expectativa de que o ritmo na concessão de benefícios diminua nos próximos meses. Conforme ele, em momentos de crise, são comuns os casos de trabalhadores que têm tempo de contribuição garantirem a aposentadoria quando são dispensados, para manter um nível de renda. Com isso, Follador projetou que o deficit do INSS deve aumentar para até R$ 75 bilhões no fim do ano. ;Não há expectativa de melhora no mercado de trabalho até o fim do ano. Assim, o rombo vai crescer e o governo terá de gastar mais para cobrir a necessidade de financiamento. (AT)

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