Eixo capital

Eixo capital

Ana maria campos/anacampos.df@dabr.com.br
postado em 13/09/2015 00:00

Olha o despenhadeiro...
Entre experientes integrantes dos núcleos de poder de gestões anteriores, a avaliação é de que Rodrigo Rollemberg chega atrasado num momento crítico de sua administração, quando não há mais tempo para planos B ou falhas para evitar uma queda no precipício. A situação é a seguinte: o governo precisa de R$ 2,2 bilhões para fechar o ano. Depende disso para pagar salários, aposentadorias, pensões, custear a máquina e honrar as despesas. Apenas para custeio e pessoal, precisa de R$ 1,5 bilhão. Até a última sexta-feira, o Executivo já havia empenhado R$ 14,7 bilhões em pessoal. Faltam três meses para encerrar 2015. De onde vão surgir R$ 2 bilhões? Sem esse dinheiro, virá o caos. Salários atrasados levam a greves, paralisações e embates judiciais. Contratos suspensos provocam falta de atendimento público à população. É um pesadelo para qualquer gestor. E também para os moradores do DF.




Quando menos pode ser mais

O conselheiro Márcio Michel já comunicou à Polícia Civil do DF que abrirá mão da aposentadoria de R$ 18 mil como delegado para receber ;apenas; o subsídio do Tribunal de Contas do DF. O contracheque agora será de R$ 30.471,00. Por enquanto. Os salários dos conselheiros Anilcéia Machado e Inácio Magalhães Filho, com gratificações acumuladas, passam de R$ 50 mil.




Só papos


;Claro que o país passa por dificuldades, mas são dificuldades que nós superamos porque somos capazes de superar;

Presidente Dilma Rousseff, ao participar de evento em Teresina, na última sexta-feira




;Dilma perdeu o controle político, econômico e isso refletiu agora nas empresas. Com esse governo, infelizmente, a tendência é piorar;

Senador Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM no Senado



Demora

A avaliação geral entre políticos e
ex-assessores do Buriti é de que o governador Rodrigo Rollemberg deveria ter adotado as medidas amargas de ajuste fiscal no primeiro dia de sua administração, quando estava no auge da popularidade e da legitimidade para cortar despesas e anunciar medidas radicais, como suspensão dos reajustes salariais e corte drástico de secretarias. Haveria reações, mas o impacto econômico de economias duras no início do ano poderia amenizar o problema que enfrenta agora. Rollemberg não ficou parado.
Enviou projetos para a Câmara para aumentar a arrecadação, reduziu cargos comissionados e segurou as rédeas dos gastos, mas as saídas mais indigestas devem ser tomadas apenas agora. O governador evitou medidas muito impopulares, como cortes de benefícios, suspensão de reajustes salariais ou aumento de tarifas porque não queria onerar a população. Mas agora terá de
anunciar um plano indigesto.


Conselhos

Desde a transição, o grupo mais próximo de Rollemberg defendia medidas extremas de ajuste logo no começo da gestão. Estavam nesse rol o então chefe da Casa Civil, Hélio Doyle, a secretária do Planejamento, Leany Lemos e então o secretário de Fazenda, Leonardo Colombini.

Para sair da UTI

A semana deve ser quente para Rollemberg e para o DF. Será o momento mais importante da gestão até agora. O governador precisa vencer a guerra da comunicação para convencer aliados, sindicatos e a população de que terão de abrir o bolso para pagar aumentos de impostos e de tarifas. Apenas sendo convincente de que precisa fazer um tratamento de choque o governador conseguirá tirar as conta públicas da UTI.


Enquanto isso... Na sala de Justiça

Durante depoimento num dos processos da Operação Caixa de Pandora, em que o ex-deputado Júnior Brunelli é acusado de receber propina, um dos advogados de defesa perguntou ao delator, Durval Barbosa, por que ele desligava a câmera em seu gabinete sempre que as pessoas saíam. O equipamento filmava os convidados que chegavam para buscar dinheiro. Foi quando ele respondeu: ;Deixar ligado para quê? Para filmar almas?;.


Mandou bem

O presidente do Tribunal de Justiça do DF, Getúlio Moraes, se comprometeu a ajudar o Ministério Público do DF na coleta de assinaturas para o projeto de iniciativa popular a ser enviado ao Congresso, com medidas para endurecer a legislação contra casos de corrupção.


Mandou mal

O Governo do DF está na pior situação financeira e orçamentária da sua história, sem condições de pagar dívidas herdadas da administração anterior, assumir investimentos e com risco de não conseguir pagar os salários dos servidores públicos a partir de outubro.



Pela tangente

Em almoço na última sexta-feira, o arquiteto Carlos Magalhães, crítico como só do ex-governador Joaquim Roriz, mostrou que não repassa para os herdeiros a avaliação negativa. Ele foi convidado pela deputada Liliane Roriz (PRTB) a receber da Câmara Legislativa o título de cidadão horário de Brasília, a cidade que viu nascer e crescer. A resposta foi pela tangente: "A honraria é muito grande e pensei logo recusá-la. Refleti e achei melhor não merecê-la".



Sem a assinatura de Colombini

O próximo relatório de gestão fiscal do DF vai pintar um quadro bem feio em termos de gastos com pessoal. Os dados devem ser divulgados no fim do mês, com a assinatura do atual secretário de Fazenda, Pedro Meneguetti. O antecessor, Leonardo Colombini, saiu com a justificativa de que queria ficar perto da família em São Paulo. Mas é certo que ele não vai assinar o relatório da gestão em frangalhos sobre o segundo quadrimestre de 2015.



E aí, companheiro, será denunciado também?

O deputado Alberto Fraga (DEM-DF), em entrevista ao programa CB.Poder, que vai ar amanhã, às 18h, na TV Brasília, disse que prefere ser chamado de ;matador; ; fama que levou nos tempos de coronel da PM ; do que de corrupto. ;Nunca roubei, nem vou roubar;, diz. Na semana passada, o parlamentar mais votado do DF se tornou réu em uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), por corrup

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