Na crise, imóvel pode ser opção

Na crise, imóvel pode ser opção

Preços de casas e apartamentos caíram 20%, em média. Mas negocie bem

» ALESSANDRA AZEVEDO ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 13/09/2015 00:00

A crise econômica está tirando o sono de muita gente. Mas, em meio às dificuldades, sempre podem surgir boas oporunidades: uma delas, comprar casa própria. Como a procura por imóveis caiu nos últimos meses, os preços também recuaram. Há regiões, segundo corretores, em que a redução média no valor dos empreendimentos chegou a 20%. É preciso, no entanto, muita calma antes de fechar negócio. O primeiro grande passo é saber se as despesas vão caber no orçamento. Essa cautela vale, sobretudo, para as prestações. Está se falando de financiamento por até 35 anos.

;Para quem quer sair do aluguel, o momento é agora;, garante o presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), Paulo Muniz. No Distrito Federal, o histórico, em relação a imóveis novos, é de que o estoque gire em torno de 11 mil unidades. Os números mais recentes apontam para um total próximo de 9,5 mil. Isso quer dizer que, em algum momento, os preços vão voltar a subir, pois a demanda será maior do que o volume de empreendimentos disponíveis. Entre maio e julho, o índice que mede a velocidade de vendas de imóveis residenciais no DF ficou em 4,6%, próximo dos 5% considerados ideais pelos especialistas. ;No momento atual, um empreendimento que demora 30 meses para ficar pronto está sendo vendido em 24 meses, o que é um prazo bem razoável;, explica Muniz.

Um dos pontos que mais estão pesando na hora de os consumidores decidirem pela compra de imóveis é a taxa de juros. Nos últimos meses, os encargos cobrados pelos bancos aumentaram bastante, acompanhando o movimento de elevação da taxa Selic, definida pelo Banco Central, que chegou a 14,25% ao ano. As instituções financeiras também reduziram o percentual financiado, principalmente no caso de imóveis usados. Ou seja, será preciso dispor de uma poupança maior para dar de entrada. Na Caixa Econômica Federal, por exemplo, é preciso bancar, no ato da operação, 50% do valor de imóveis até R$ 750 mil. Para casas e apartamentos acima desse patamar, só 40% podem ser financiados ; a entrada é de 60%.

Mas não é só: considerando o tamanho da dívida a ser assumida, deve-se levar em consideração que as parcelas não devem comprometer mais do que 30% da renda familiar, pois o risco de inadimplência é grande, uma vez que a inflação não está dando trégua à renda dos trabalhadores. Devem ser levadas em conta ainda as despesas com o registro do imóvel no cartório e os tributos, como o imposto sobre transações imobiliárias e escritura (ITBI), que podem chegar a 2% do valor do empreendimento.

Cuidados

;O mercado imobiliário tem ciclos, que tendem a durar cerca de três anos. Estamos entrando agora em um ciclo positivo;, afirma Marco Antonio Demartini, da Lopes Royal. Ele tem notado mais procura pela casa própria no Distrito Federal. ;Em 2013, o número de imóveis ofertados era quase o dobro do que se vê agora, de 9,5 mil, o que demonstra mais equilíbrio;, explica. Segundo ele, o quadro mais favorável em Brasília está na contramão do resto do país. ;É um resultado melhor que o obtido em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro;, aponta.

Uma das explicações é o fato de Brasília ser a meca do funcionalismo público, que têm estabilidade de emprego e bons salários. ;Há, em boa parte dos trabalhadores do Distrito Federal, segurança com a renda futura, o que acontece bem menos em outras cidades, onde as pessoas continuam receosas com a crise e com o desemprego. Nesses localidades, nem os preços mais baixos dos imóveis ajudam;, explica Luís Fernando Melo Mendes, economista da Câmara Brasileira da Indústria de Construção (Cbic).

Além disso, como os aluguéis são altos no DF, é natural que a população esteja mais disposta a assumir uma dívida para comprar um imóvel. ;A gente viu retração da produção imobiliária em todo o país. Mas, em Brasília, o movimento de recuperação aconteceu mais rápido;, ressalta Mendes.

Como consequência do desaquecimento da economia, a queda dos preços dos imóveis já era esperada pelos especialistas. Segundo Mendes, a perda significativa da renda e o aumento no nível de endividamento das famílias, fatores que limitam a capacidade de pagamento, foram os principais prepondantes para o recuo. ;Dado o desaquecimento da economia, após um longo período de euforia na atividade imobiliária, a velocidade de venda começou a cair e os imóveis passaram a ser vendidos em prazos mais longos, a valores menores;, afirma o economista.

Como a resposta do mercado imobiliário à crise é mais demorada, foi gerado um estoque de imóveis, que está sendo vendido agora, com maior flexibilidade de negociação. ;Os estoques começam a se equiparar e as pessoas começam a ficar mais dispostas a adquirir;, explica. O resultado disso é que o consumidor tem encontrado mais facilidade na hora de barganhar com as empresas, tanto em imóveis residenciais quanto em comerciais.


Condições
O dermatologista Orlando Oliveira de Morais, 31 anos, conseguiu 25% de desconto ao comprar três salas comerciais à vista, em julho. Pesquisando preços por mais de um ano, ele percebeu os sinais positivos do mercado. ;Tinha expectativa de queda nos preços, porque haveria diminuição da procura, devido à crise;, conta. ;Comprei imóveis por um valor que não conseguiria em anos anteriores.;



Burocracia
É importante verificar nos cartórios a documentação do imóvel que vai ser adquirido e fazer as contas dos impostos. Além do número da matrícula, é importante observar se a certidão de ônus encontra-se negativa. Muitas pessoas não se atentam a esses procedimentos, que são tão importantes quanto romper a barreira da insegurança, afirma Jorge Rucas, da João
Fortes Engenharia.

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