As greves e a falta de diálogo continuam

As greves e a falta de diálogo continuam

Dois dias após confrontos com a polícia, professores decidem manter a paralisação. Metroviários e funcionários da CEB devem cruzar os braços na próxima semana. Quem procura os hospitais ainda sofre com a falta de médicos e técnicos em enfermagem

» JOÃO GABRIEL AMADOR Especial para o Correio
postado em 31/10/2015 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)



Mais problemas à vista para a população. Servidores de empresas como o Metrô e a CEB devem entrar em greve na semana que vem. Enquanto isso, os professores decidiram ontem, dois dias após o confronto com policiais militares no Eixão Sul, pela continuidade da paralisação por tempo indeterminado. E, apesar da volta ao trabalho de 150 categorias da Saúde, médicos e técnicos em enfermagem seguem de braços cruzados. Para representantes do governo, não há como pagar os reajustes salariais antes do ano que vem. ;Queremos pagar. Não se trata de falta de vontade política, mas incapacidade financeira. Trabalho com fatos, e o fato é que conseguiremos quitar as dívidas apenas em 2016;, afirmou o secretário da Casa Civil, Sérgio Sampaio.
Na manhã de ontem, a Praça do Buriti, mais uma vez, se tornou palco de manifestantes. Cerca de 3 mil professores e alunos de escolas públicas, segundo a Polícia Militar, ou pelo menos 5 mil, para a liderança do movimento, estiveram reunidos para a assembleia. Nos discursos, o tom era de insatisfação. O embate entre professores e policiais, ocorrido na quarta-feira e que resultou na detenção de cinco participantes da obstrução da via, voltou a ser o motivo da revolta. ;O responsável por essa violência é o governador. Mas, com isso, percebemos a solidariedade da população;, afirmou Washington Dourado, diretor do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF).

Movimentos estudantis marcaram presença. Um grupo entregou rosas para professores e demais participantes da assembleia ; algumas flores chegaram a alguns policiais que faziam a segurança na praça. Além da violência, a acusação da falta de diálogo por parte do governo teve destaque nos discursos. ;Nenhuma proposta concreta chegou até o momento. Quanto à ilegalidade da greve, quem decide o fim da paralisação é o movimento. E só voltaremos às atividades quando tivermos negociação;, reforçou Dourado. Com a insatisfação geral, os professores decidiram em votação por manterem a greve por tempo indeterminado e intensificação de manifestações. Uma nova assembleia geral da classe foi marcada para quarta-feira.
Sobre o confronto, o secretário Sérgio Sampaio afirmou que os atos serão investigados. ;Analisaremos as imagens dos professores, mas também de outros cidadãos e da própria polícia para verificar se houve uso de força excessiva;, esclareceu o secretário, que rebateu a afirmação de que o governo não tem diálogo com os grevistas. ;Nós convidamos todos os sindicatos que tragam equipes técnicas para abrirmos as contas e mostrarmos que não há condições de atender as demandas de reajustes agora. Mas outras ações que não envolvam aporte financeiro serão debatidas.;





Adesão

Em sala de aula, a adesão da greve chega a 85%, segundo o movimento. Mas não são apenas os estudantes que sofrem com as paralisações. Nos hospitais, a situação ainda é crítica. Apesar da suspensão da greve do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do DF (SindSaúde), outros grupos mantiveram os braços cruzados ; caso do Sindicato dos Médicos (SindiMédicos) e do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do Distrito Federal (Sindate).
O motorista Alex Beserra Alves, de 30 anos, levou a irmã, Analice Beserra Alves, 26, e o irmão, Abimael Beserra Alves, 28, para o pronto-socorro do Hospital Regional da Asa Norte, na esperança de ser atendido, mas ficou decepcionado. ;Meus irmãos estão passando mal, com sintomas de dengue. Fomos ao Hospital Regional de Ceilândia, mas lá não tinha médico e me disseram para vir aqui. Mas também não tem médico. Só um cirurgião e ele estava ocupado.; A situação encontrada por Alex é semelhante em outros centros médicos, que atendem apenas casos de emergência.
Os funcionários do Detran seguem em greve. O DFTrans, por sua vez, reabriu os postos de atendimento, retomando serviços como emissão de cartões, recargas de passagens e atualizações de cadastro.

Mas a situação do cidadão não vai melhorar. Os metroviários entram em greve na terça-feira. Serão mantidas apenas 30% das operações: oito trens vão rodar no horário de pico. Diariamente, 160 mil pessoas dependem do meio. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do DF (Sindmetrô), as motivações para a paralisação são o não cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho, a não convocação dos aprovados no último concurso e o excesso de comissionados na empresa. A Assessoria de Comunicação do Metrô afirmou ter se reunido com a categoria e oferecido R$ 382 de verba indenizatória transformado em auxílio alimentação até atingir o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Outra categoria que pode suspender atividades é a dos trabalhadores da Companhia Energética de Brasília (CEB). Uma assembleia está marcada para terça-feira.

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