Uma semana depois, Dilma visita área

Uma semana depois, Dilma visita área

postado em 13/11/2015 00:00
 (foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
(foto: Roberto Stuckert Filho/PR)



A presidente Dilma Rousseff anunciou na tarde de ontem que o Ibama vai aplicar multa preliminar de R$ 250 milhões à mineradora Samarco por uma série de infrações à legislação ambiental federal. Após sobrevoar a região de Mariana e Governador Valadares, afetadas pela lama que desceu após o rompimento das barragens da mineradora há uma semana, Dilma disse estar diante do ;maior desastre ambiental que afetou grandes regiões no país;.


A multa à mineradora, que pertence à Vale e à BHP, segundo a presidente, será por poluição dos rios, por tornar a área imprópria à ocupação humana, por interrupção no fornecimento de água a cidades, por lançamento de resíduos em rios e por lançamento de efluentes danosos à biodiversidade.


A presidente disse que solicitará à Samarco a implementação de adutoras para ligar rios da região a Governador Valadares. A Defesa Civil estima custo de $ 15 milhões para essas obras.


;O prazo para a água chegar a Governador Valadares é ontem;, afirmou Dilma. A população do município está com torneiras secas desde segunda-feira, quando a captação no Rio Doce teve de ser interrompida.

Apuração

A subprocuradora-geral da República, Sandra Cureau, disse que o Ministério Público Federal (MPF) vai contratar uma empresa especializada para apurar todos os danos sociais e ambientais causados pelo rompimento das barragens. ;A contratação deverá ser feita em regime de urgência;, disse. ;Como os danos prosseguem, ainda não temos como contabilizar seus impactos;, afirmou Cureau.


A partir dessa apuração técnica, o MPF vai entrar com uma série de processos nas esferas civil e criminal contra a Samarco, Vale e BHP. Mais cedo, Sandra Cureau disse que espera uma ;punição exemplar; contra os responsáveis pelo desastre.
A subprocuradora disse que um grupo de trabalho formado por representantes do Ministério Público está acompanhando em Mariana cada desdobramento do caso.

Nova barragem

A Vale quer construir em Rio Acima, na Grande Belo Horizonte, uma barragem de rejeitos de minério de ferro que será entre 10 e 15 vezes maior do que as duas que romperam em Bento Rodrigues. As estruturas que entraram em colapso tinham capacidade para 300 milhões de toneladas de rejeitos.


O secretário municipal de Meio Ambiente de Rio Acima, Henrique de Souza Machado, afirma que a intenção da Vale é construir a barragem a 3 quilômetros da cidade, em área que fica a aproximadamente 100 metros do Rio das Velhas, que deságua no Rio São Francisco. A mina, conforme o secretário, tem potencial de exploração maior que o de Carajás, também da Vale, no Pará, hoje a maior da empresa no País. A empresa já tem operação em Rio Acima, mas precisa da barragem para aumentar a produção de minério de ferro, segundo Machado.


No momento, o principal objetivo da Vale para tocar o empreendimento, batizado de projeto de desenvolvimento do Complexo Vargem Grande, é em relação a um sítio histórico chamado Fazenda Velha, fundada no início da exploração de ouro na região e que hoje é tombado pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico Cultural de Rio Acima. A Fazenda Velha, segundo o secretário de Meio Ambiente, fica em área que seria preenchida por rejeitos de minério de ferro, caso a empresa consiga viabilizar o empreendimento.


A Vale e outras mineradoras, alegam serem donas do terreno onde está a fazenda. As empresas tentam provar isso em ação na Justiça que se arrasta desde o início dos anos 2000.


Na terça-feira, uma reunião do Conselho de Municipal de Patrimônio Histórico Cultural, em que seria discutida a situação da Fazenda Velha, foi suspensa e, segundo o secretário, foi solicitada ao Ministério Público a realização de ;análises para que não restem dúvidas sobre os participantes da instância;.


Protesto

Manifestantes realizaram protesto na tarde de ontem na ferrovia da Vale em Governador Valadares, a 450 quilômetros de Belo Horizonte. Eles queimaram pneus sobre a linha férrea que transporta minérios da companhia e também funciona para viagens diárias de passageiros entre Vitória e Belo Horizonte. A Polícia Militar de Minas faz cerco no local. Os moradores de Governador Valadares protestam contra a interrupção no fornecimento de água na cidade, que tem 296 mil habitantes.




"O prazo para a água chegar a Governador Valadares é ontem;

Dilma Rousseff,
residente da República









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