Obama como alvo

Obama como alvo

Em debate, republicanos disparam contra a estratégia %u201Cfracassada%u201D da Casa Branca para combater o terror

postado em 17/12/2015 00:00
 (foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP)
(foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP)


A menos de dois meses do início das eleições internas nos partidos, o debate organizado pela rede de televisão americana CNN entre os presidenciáveis da oposição republicana foi uma chuva de críticas à estratégia do presidente Barack Obama contra a ameaça terrorista ; nos Estados Unidos e ao redor do mundo. No dia seguinte ao encontro, realizado na noite de terça-feira, o confronto dominava o noticiário, que destacava a disputa entre os senadores Marco Rúbio (Flórida) e Ted Cruz (Texas) pela atenção do eleitorado conservador e o duelo entre ex-governador Jeb Bush e o atual líder da disputa nas pesquisas, o polêmico milionário Donald Trump.

O magnata imobiliário lidera as intenções de voto para as primárias do Partido Republicano desde que oficializou a candidatura, em junho passado, e sua campanha tem sido marcada por declarações polêmicas, especialmente sobre segurança e imigração. Ontem, ele acusou os moderadores do debate de terem direcionado as perguntas de modo a conseguir altos índices de audiência com suas declarações. ;Aposto que eles têm bons índices. Acho que da próxima vez não vou participar;, ameaçou.

O empresário já havia sugerido em ocasiões anteriores que a CNN pagasse US$ 5 milhões para que ele comparecesse aos debates, mas a emissora se negou a fazê-lo. Segundo uma pesquisa conduzida pela One American News Network, 35% dos republicanos registrados consideraram que Trump venceu o encontro de terça-feira. Apesar dos números, analistas consideraram que os desempenhos de Bush e de Rubio foram melhores.

O confronto em Las Vegas foi o último do ano entre os aspirantes à candidatura da oposição à Casa Branca. Logo no início, Bush atacou a proposta de Trump para barrar a entrada de muçulmanos nos EUA, feita sob o impacto do massacre promovido em San Bernardino (Califórnia) por um casal simpatizante do Estado Islâmico (EI). ;Donald é um grande frasista, mas é o candidato do caos e seria o presidente do caos;, disparou o caçula do clã político ao qual pertencem os últimos dois presidentes republicanos.

A questão do combate ao EI e ao terrorismo dominou a discussão entre os pré-candidatos, que foram unânimes em apontar Obama e ex-secretária de Estado Hillary Clinton ; favorita para disputar a Casa Branca pelo Partido Democrata ; como ;fracassados; na missão de manter o país seguro. ;Os EUA estão em guerra. Nosso inimigo é o terrorismo radical islâmico;, frisou o senador Ted Cruz, que vem crescendo nas pesquisas e se firma como principal adversário de Trump.
O magnata considerou a invasão do Iraque, em 2003, um desperdício de dinheiro público, e defendeu a imposição de maior controle para acesso à internet no Oriente Médio. ;O EI usa a internet melhor do que nós;, observou. ;Falam de liberdade de expressão. Eu não quero que eles usem nossa internet;, completou.

A falha das autoridades americanas em identificar o risco potencial representado pelo casal americano-paquistanês que matou 14 pessoas, em San Bernardino, alimentou críticas sobre o monitoramento supostamente ineficiente da gestão Obama. ;Cada pai nos Estados Unidos confere as redes sociais e os patrões também, mas o governo não pode fazê-lo?;, questionou Carly Fiorina, ex-presidente da Hewlett Packard.

A discussão entre Marco Rubio e Ted Cruz, ambos identificados com o grupo conservador Tea Party, também se concentrou nas questões de segurança. Depois de Rubio criticar os cortes de orçamento militar defendidos por Cruz, o senador eleito pelo Texas afirmou que ;o problema da política externa de Marco é que ele é muito alinhado com Hillary Clinton e Barack Obama;.

Vazamento
Em meio a uma polêmica sobre os programas de vigilância da Agência de Segurança Nacional (NSA), Cruz pode ter revelado informações sigilosas da inteligência americana. O senador acendeu um sinal de alerta entre analistas de segurança ao afirmar que ;20% ou 30% dos números de telefones; eram monitorados por um antigo programa da agência, enquanto as práticas atuais cobrem 100% dos números. Segundo o jornal The Hill, o senador Richard Burr, que preside o Comitê de Inteligência, decidiu revisar as falas de Cruz.

"Você (Trump) não vai abrir caminho para a Casa Branca na base dos insultos;
Jeb Bush, ex-governador da Flórida

"Os EUA estão em guerra. Nosso inimigo é o terrorismo radical islâmico;
Ted Cruz, senador pelo Texas

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