Zika fora de controle

Zika fora de controle

Casos de dengue no DF têm alta de 883%. Aumento no número de microcefalia no o país é de 10% em uma semana

» NÍVEA RIBEIRO ESPECIAL PARA O CORREIO » OTÁVIO AUGUSTO
postado em 21/01/2016 00:00
 (foto: João Carlos Lacerda/Divulgação
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(foto: João Carlos Lacerda/Divulgação )


O boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde ontem aponta 3.893 casos suspeitos de microcefalia notificados até o último sábado. O boletim anterior, há uma semana, apontava 3.530 notificações ; o crescimento foi de 10%.

No Distrito Federal, os casos de dengue aumentaram 883%. A capital federal registrou 305 notificações, ante 31 do último levantamento. Brazlândia registrou 40% dos casos. O volume de infecções é 18,21% maior do que os registrados no mesmo período de 2015, quando houve 258 situações. Ceilândia, Planaltina e São Sebastião compõem o ranking de regiões onde mais ocorreram contaminações.

Até o último dia 18, a Secretaria de Saúde do DF notificou 10 suspeitas de zika vírus. Contudo, apenas três estão confirmados ; duas gestantes do DF e uma de Santo Antônio do Descoberto, município a 40km de Brasília. Houve, também, quatro suspeitas de febre chikungunya e uma confirmação.

Microcefalia

Agora, de acordo com o Ministério da Saúde, os casos de microcefalia no país estão em 764 cidades de 21 unidades federativas. Desse total, 224 recém-nascidos tiveram a condição congênita confirmada, 282 suspeitas foram descartadas e 3.381 continuam em investigação. Em Minas Gerais, um bebê com microcefalia foi diagnosticado com o vírus zika, a partir da análise de líquido da medula. É o primeiro caso do tipo e mais uma confirmação da relação entre a infecção e a malformação.

Na Região Nordeste, há 3.402 ocorrências notificadas. O estado de Pernambuco concentra um terço das notificações nacionais (1.306), seguido pela Paraíba (665); Bahia (496) e Ceará (216).

Placenta

O vírus zika foi identificado na placenta de uma mãe cujo filho nasceu com microcefalia, trazendo uma nova evidência para ajudar na compreensão do surto. O estudo do Instituto Carlos Chagas, da Fiocruz, analisou a amostra de placenta de uma gestante do Nordeste que apresentou sintomas de zika e sofreu um aborto no primeiro trimestre de gravidez. Mesmo que a presença do zika já houvesse sido identificada no líquido amniótico ainda no ano passado, as pesquisas com base na nova descoberta poderão explicar por que o vírus se mantém no órgão meses após a infecção.

O diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, ressaltou que há dificuldades em entender a doença, ou mesmo o mosquito, por causa das mutações e adaptações que o transmissor e os vírus sofrem. Acreditava-se que a incidência da dengue era maior em regiões quentes ; a Região Sul, por exemplo, ;era quase isenta de dengue;, segundo ele. Entretanto, casos foram notificados em Santa Catarina e Rio Grande do Sul e o número de registros de casos vem crescendo, o que atestaria a capacidade de adaptação do mosquito, na avaliação de Maierovitch. ;Tudo que se refere à infecção pelo zika é um conjunto de interrogações;, disse.

Diante de novas tecnologias de controle do mosquito, como a criação de mosquitos transgênicos cuja prole é estéril, Maierovitch reforçou a importância do combate tradicional à proliferação do vetor: evitar o acúmulo de água. ;Até agora, há uma possibilidade de o mosquito transgênico se configurar como meio de controle, no entanto, a magnitude ainda é pequena. Não existe nenhum instrumento que possa nos dar a chance de uma redução drástica;.

;Tudo que se refere à infecção pelo zika é um conjunto de interrogações;

Cláudio Maierovitch, diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde

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