Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

por Severino Francisco severinofrancisco.df@dabr.com.br
postado em 21/01/2016 00:00

Poeminha do buraco

Em Brasília, a qualquer chuvinha,
logo o asfalto se esfarinha
e ninguém pode trafegar na rua
pois aquele buraquinho já era
vira uma enorme cratera
e parece que a gente está na Lua.


Sai governo e entra governo
mas prevalece o desgoverno
fazem meia-dúzia de remendos
com uma massa bem fininha
que abre buracos tremendos
basta sair uma lasquinha.


Se você atrasar o IPVA
ou qualquer imposto banal
e passar por barreira policial
em algum ponto da cidade
será tratado como elemento
de alta periculosidade


Sem querer fazer desacatos
eu gostaria que os buracos
que assolam a nossa cidade
fossem caçados por atiradores de elite
com a mesma sanha e apetite
que abordam os cidadãos pacatos


E se você cair, pode se preparar
o pneu vai estourar, a roda empenar
a suspensão vai para o alto
não se pode chamar isso de asfalto
é mais uma plantação de buraco
que estoura no lado mais fraco.


As coisas talvez melhorassem
se Suas Excelências trafegassem
por essas vias esburacadas
em suas Mercedes importadas.
Sem precisar de macetes
as pistas se tornariam tapetes.


Agnelo gastou 400 milhões
para trocar a malha viária
no programa Asfalto novo
mas a situação é precária
não resolveu o problema e
quem vai pagar é o povo


Com tanto tapa-buraco
o MP poderia nos ajudar
a descobrir onde foi parar
o dinheiro do Asfalto Novo
e também em que buraco está
a grana do nosso IPVA


Em Brasília, a qualquer chuvinha
logo o asfalto vira farinha
e ninguém pode trafegar na rua
parece que a gente está Lua
pois o buraquinho prospera
e vira uma enorme cratera
que ameaça engolir o carro
numa poça traiçoeira de barro.

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