A força do rúgbi

A força do rúgbi

Com fama de agressiva, a modalidade é também indicada para as mulheres. Elas garantem que faz bem para a mente, além de emagrecer, tornear as pernas e o bumbum

postado em 19/06/2016 00:00
 (foto: Rodrigo Zago/Divulgação)
(foto: Rodrigo Zago/Divulgação)


Muito procurado por ser um esporte diferente de todos os outros, o rúgbi atrai atletas de diferentes idades, pesos e alturas. Cada qual tem em mente diferentes objetivos, como aumentar o ciclo de amizades ou somente experimentar um esporte novo. Independentemente da finalidade, porém, a prática vai além da interação social. A modalidade contribui também para o aumento da força e da massa muscular, além de ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade.

Por ser um esporte completo, e que exige muito dentro de campo, sempre contribui para a melhora do físico e, principalmente, da capacidade cardiorrespiratória. O gasto calórico é alto. Uma hora de atividade queima cerca de 800 calorias, o que equivale a pular corda ou a nadar com intensidade pelo mesmo período de tempo. Outros esportes, como o handebol, o basquete e o futebol americano ficam para trás, por exemplo, e contabilizam um gasto calórico de aproximadamente 600 calorias por hora.

Ericka Montalvão é professora de educação física e treina o Clube de Rugby feminino, da Universidade de Brasília. Ela conta que algumas posições do esporte requerem mais habilidades, como força ou velocidade. Ainda assim, os benefícios da prática são usufruídos por atletas e amadores.

;Eu comecei a jogar exatamente porque queria emagrecer. Um amigo jogava e a primeira coisa que perguntei foi se eu emagreceria. Quando ele me disse ;vai emagrecer, e muito;, me juntei ao time;, conta a técnica de enfermagem Aline Dumont, 27 anos. ;O melhor de tudo é que você vai para o treino estressada, de TPM e sai de lá uma princesa, de tão relaxada;, brinca.

A arquiteta Aline Correia, 22 anos, concorda. Ela emagreceu 15kg desde que começou a praticar o esporte, há quase 2 anos, e, hoje em dia, as pessoas não acreditam que ela joga rúgbi, justamente por ser muito magrinha. ;É engraçado porque existe esse preconceito com o biotipo. Mas qualquer pessoa pode jogar, é só ter garra e vontade;.

Apesar do machismo que rodeia o esporte, ali também é lugar para mulher. A Seleção brasileira feminina tem apresentado muito mais resultado do que a masculina. As meninas são onze vezes campeãs sul-americanas e potência absoluta na América do Sul. ;Nós, mulheres, estamos conseguindo provar nosso valor dentro do campo. Isso é uma coisa muito boa, pois temos essa necessidade de autoafirmação o tempo inteiro. Queremos ter o nosso espaço;, conta Ericka. Ela acrescenta que tenta sempre promover treinos mistos para incentivar tanto as mulheres quanto os homens a serem cada vez melhores.

O esporte ajuda o atleta a conhecer suas limitações e, além disso, é uma grande atividade de socialização. A estudante Evelyn de Oliveira, 21, conta que, quando começou a frequentar o Clube de Rugby da UnB, não houve nenhuma cobrança quanto ao conhecimento e esforço físico e isso foi muito importante para ela, devido a sua personalidade mais introvertida. ;Eu era muito tímida, hoje sou capitã do time e sou obrigada a falar e interagir. A gente muda, aprendemos a ser mais solidários e pacientes. Além da melhoria do corpo, há a melhoria interior.;

As mulheres mostram a garra dentro do campo. Não têm frescura nem medo de cair. Aliás, os arranhões e os machucados são motivos de orgulho. ;Quando a gente ganha um olho roxo, saímos felizes, e o uniforme sujo representa um bom jogo;. Mas, é claro, tudo acontece de acordo com as regras do esporte. Os arranhões de fato são inevitáveis, mas o objetivo não é ferir o outro. Cada empurrão é feito com técnica, para que não ocorram injustiças. A auxiliar administrativo Mariana Eiras, 26, acrescenta: ;Muitas vezes, nos subestimam por sermos mulheres. Não acreditam que conseguimos derrubar um cara, mas é tudo muito técnico. Nós jogamos tão bem quanto eles.;

As atletas fazem questão de reforçar os benefícios do rúgbi. Sendo um esporte de integração, alguns aprendizados são levados para fora da quadra. ;Esse é um lugar no qual posso errar, aprender e exercer muitas coisas em conjunto que acabam me trazendo um benefício individual;, conta a atriz Yasmin Boreli, 20 anos. A técnica Ericka acrescenta: ;A interação social é muito grande e todo mundo se respeita muito. Nós conhecemos muita gente, de vários lugares do país, e o laço que criamos é muito forte. Levamos as amizades da quadra e para a vida.; Além da camaradagem, de quebra, as atletas conquistam pernas duras e bumbuns bem torneados. O esporte tonifica principalmente os membros inferiores, mas favorece o ganho muscular no corpo todo.

Por ser um esporte de contato físico, grande parte dos músculos do corpo são trabalhados, e isso abre um leque para outras diversas melhorias, como o sistema respiratório, o condicionamento físico e um corpo mais definido. A saúde mental também é beneficiada, pois, concentração máxima é exigida dentro do campo. Silvia Quaresma, 21, é estudante e conta que sempre teve problema na coluna, mas, devido aos exercícios praticados no ruúgbi, sua postura melhorou muito e, consequentemente, suas dores. Ela pratica o esporte desde 2012 e, apesar de se dedicar à modalidade por prazer, as mudanças no físico também lhe agradam. ;Nunca fui muito ligada à estética do corpo, mas confesso ter passado a gostar mais do meu após ganhar massa e definir os músculos, principalmente, os das pernas.;

A segurança no esporte é essencial. Para praticá-lo, é indicado o uso do protetor bucal em todos os treinos para evitar que os dentes sejam atingidos. Outro equipamento básico é uma chuteira adequada, que proporciona força e resistência. Elas normalmente possuem travas maiores do que as chuteiras de campo e são mais pesadas. O uniforme também costuma ser de uso obrigatório, pois devem ser mais resistentes e favorecer a prática do rugby. Além disso, tecidos específicos, como silicone, são usados para garantir melhor aderência da bola.

Existem alguns equipamentos que não são sempre exigidos, mas são interessantes para o melhor desempenho. Um deles é o capacete scrum cap. Ele possui partes amaciadas para proteger a cabeça de impactos e também é muito usado para cobrir as orelhas e impedir que elas sejam deformadas. A ombreira também é uma ótima opção. Ela auxilia na proteção dos ombros, mas, dependendo do modelo, também pode evitar que o abdômen, peitoral, costas e bíceps sejam afetados no impacto entre dois ou mais jogadores.



Serviço:
O Clube de Rugby da UnB é aberto para o público masculino e feminino e não é necessário ter vínculo com a universidade para participar. Os treinos ocorrem às segundas, quartas e sextas no Centro Olímpico, às 12h.



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