Itamaraty tenta rever cortes

Itamaraty tenta rever cortes

Embaixadores, oficiais e assistentes de chancelaria protestaram no Brasil e em mais de 50 postos no exterior. Categoria foi a única que não fechou acordo salarial

» VERA BATISTA
postado em 24/06/2016 00:00
 (foto: Rodrigo Nunes/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Rodrigo Nunes/Esp.CB/D.A Press)


Em uma manifestação inédita, o Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty) reuniu embaixadores, oficiais e assistentes de chancelaria. No ato, os servidores reivindicaram a retomada das negociações salariais com o Ministério do Planejamento ; a categoria foi a única que não assinou acordo com o governo ;, protestaram contra o corte da Indenização de Representação no Exterior (Irex) do 13; salário e do adicional de férias, e os atrasos cumulativos e constantes do reembolso do auxílio-moradia para os funcionários lotados fora do país. O movimento teve adesão dos funcionários em mais de 50 postos do Itamaraty no exterior: incluindo embaixadas, consulados e missões. Apenas 30% do pessoal cumpriu expediente.

No Brasil, mais de 300 pessoas ; a maioria mulheres de salto alto ;, participaram da passeata que foi do prédio anexo à sede do órgão, com faixas e cartazes. No carro de som, palavras de ordem como ;auxílio-moradia tem que ser em dia;, ;apoia ministro; e ;a luta é justa;. Quando o ato estava no fim, tiveram a notícia de que o ministro José Serra havia chegado. Os servidores tentaram ser recebidos, sem sucesso.

A presidente do Sinditamaraty, Suellen Paz, explicou que, como o Itamaraty é ainda muito conservador, muitos ficaram com medo de ir para a rua. ;Nos bastidores, o apoio é imenso. Realmente, há uma demonstração inédita de solidariedade, dentro e fora do país;, declarou. ;Essa pode ter sido a única manifestação de salto alto, mas é séria e por motivo justo. Queremos chamar a atenção do governo e da sociedade para nossas justas reivindicações;, destacou a oficial de chancelaria Aurea Ponce de Leon. Para Tatiana Prado, assistente de chancelaria, o que mais incomoda a categoria é a falta de informação de grande parte da população.

;As pessoas convertem nosso salário em dólares para real, o que dá a impressão de ganhos mensais astronômicos. Esquecem que gastamos em moeda local. Quem trabalha na Europa, por exemplo, tem prejuízo, porque o euro é mais caro. Há cidades na Ásia em que o custo de vida é altíssimo. A conversão, portanto, perde o sentido;, esclareceu Tatiana.

Controvérsia


A Associação dos Diplomatas Brasileiros (ADB) orientou os filiados a não aderirem aos protestos do Sinditamaraty. ;Tradicionalmente, nunca fizemos greve, mas alguns jovens mais inflamados, em solidariedade ao pessoal do exterior, querem chamar a atenção da alta direção;, explicou a embaixadora Vitoria Clever, presidente da ADB. ;Achamos prematuro fazer manifestação, até que analisemos a situação e encontremos um remédio jurídico. A questão não é com o MRE. O problema é que o Planejamento não fez ainda os repasses;, disse.

Apesar da orientação, vários diplomatas estiveram no ato. Evandro Araújo, da área cultural do Itamaraty, defende a diversidade e disse que ficou ainda mais motivado a participar depois da má notícia do corte nas gratificações. ;Isso prejudica muito quem está lá fora;, afirmou. Para Ricardo Pasiani, Felipe Ortega e Rafael da Mata, o governo, de uma só vez, mexeu no bolso e nos direitos adquiridos dos diplomatas.


  • A culpa é do Planejamento

    Por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que a alteração da fórmula de cálculo do 13; salário no exterior foi consequência de parecer técnico do Ministério do Planejamento e deixou claro que não interfere nas negociações salariais entre o Sinditamaraty e o governo. Sobre o pagamento do auxílio-moradia no exterior, o MRE esclareceu que vem enfrentando dificuldades, mas negociou a liberação de créditos orçamentários adicionais, no total de R$ 580 milhões. O valor foi autorizado ontem por meio de publicação no Diário Oficial da União. ;A partir da liberação de tais recursos por parte do Tesouro Nacional, os pagamentos deverão serão regularizados;, destacou o comunicado.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação