Crivella derrota Freixo no Rio

Crivella derrota Freixo no Rio

ANTONIO TEMÓTEO
postado em 31/10/2016 00:00
 (foto: Tasso Marcelo/AFP)
(foto: Tasso Marcelo/AFP)



Favorito para comandar a segunda maior cidade do país a partir de 2017, Marcelo Crivella (PRB) foi eleito prefeito do Rio de Janeiro com 59,37% da preferência dos cariocas. A vitória fortalece a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, que passa a comandar, pela primeira vez, uma capital brasileira. O candidato Marcelo Freixo (PSol) foi derrotado com uma diferença de 536.366 votos, mas afirmou que era um vencedor pelo que considerou ;a campanha mais bonita do país;.

Após seguidas derrotas em eleições para comandar o estado do Rio de Janeiro e a capital, Crivella, que é bispo licenciado da Igreja Universal, tentava descolar sua imagem da instituição. Para isso, passou a defender a tolerância entre as religiões, cercando-se de intelectuais e personalidades do samba e até de religiões afro-brasileiras. ;Temos quatro anos para construir o Rio de Janeiro que tanto sonhamos. Na política ninguém vence sozinho. Quem se elege é um representante de todos que lutaram juntos para que nosso projeto pudesse alcançar o coração dos eleitores;, disse ele depois da confirmação da vitória.

O socialista Freixo procurou, durante toda a campanha, se livrar da pecha de radical, aproximando-se de economistas liberais e rejeitando a associação de seu nome aos blackblocs, acusação que enfrenta desde as manifestações de 2013. ;Tivemos 11 segundos na televisão no primeiro turno e conseguimos derrotar o PMDB. Chegamos ao segundo turno e enfrentamos o que há de mais obscuro na política, que usou métodos que a gente não imaginava possíveis. Os próximos quatro anos não serão fáceis, mas terá oposição, porque tem projeto, tem luta;, afirmou.

Freixo também agradeceu aos militantes do PSol e do PCB, e comentou que respeita o processo democrático. Entretanto, ele destacou que continuará a fazer forte oposição ao governo. ;Perdemos uma eleição, mas ganhamos sentido na política. Essa campanha não teve ninguém pago. Não tem dinheiro que pague nossa utopia. Eu tenho um pedido a fazer a vocês. Que a gente continue debatendo. Não adianta me perguntar: E 2018? E 2020? Está muito longe, eu quero saber deste mês;, ressaltou.

Desafios
Crivella agradeceu o apoio de religiosos de diferentes crenças, entre católicos, integrantes do candomblé, do espiritismo, além de agnósticos e ateus. Ele pediu que seus eleitores se unam em torno das palavras usadas como slogan de sua campanha. ;Não podemos jamais cair na praga maldita da vingança. O processo eleitoral termina aqui. Nós não temos memórias para injúrias e infâmias. Vamos concentrar as nossas energias para concretizar o nosso projeto, que é cuidar das pessoas;, comentou durante pronunciamento no Bangu Atlético Club.

O candidato eleito prometeu construir hospitais e creches para a população, além de melhorar a segurança para os cariocas. ;Eu peço a Deus que essa modesta vida pública possa deixar para todos os cariocas esse exemplo de que sempre chega a nossa vez quando a gente não desiste. Peço a Deus que nós todos, nesses quatro anos de governo, possamos ter a esperança dos que sempre lutam e a fé dos que nunca desistem;, completou.

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