>> Entrevista / Pedro Parente

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Presidente da estatal diz que tem liberdade para aumentar ou reduzir valores dos combustíveis de acordo com as condições de mercado

» ANA DUBEUX » PAULO SILVA PINTO » SIMONE KAFRUNI » Vicente nunes
postado em 04/12/2016 00:00
 (foto: Yasuyoshi Chiba/AFP - 15/7/16)
(foto: Yasuyoshi Chiba/AFP - 15/7/16)

A Petrobras resume as apostas e o naufrágio dos 13 anos de governos petistas: descoberta de reservas gigantes no pré-sal, desenvolvimento da produção nacional de equipamentos, projetos mirabolantes e inúteis, o maior escândalo de corrupção do mundo e manipulação de preços para conter a inflação.

Separar a parte boa da ruim na maior estatal do país é uma das tarefas mais sensíveis do atual governo. E está nas mãos de Pedro Parente, engenheiro eletricista formado pela Universidade de Brasília (UnB), com ampla experiência na administração pública. Ele foi responsável por equacionar, no fim do governo de Fernando Henrique Cardoso, a crise do apagão. Depois disso, construiu uma trajetória de sucesso no setor privado.

Parente falou ao Correio na sexta-feira, quando completou seis meses à frente da Petrobras. Ele espera que, dentro de quatro anos, a estatal esteja como uma dívida tão leve quanto a que existia em 2009, equivalente a uma vez a sua geração de caixa. Em 2014, essa relação chegou a 5,3 vezes, ou seja, um salto de US$ 100 bilhões em apenas cinco anos. Para isso, diz, precisa ter liberdade de fixar o preço dos combustíveis de acordo com parâmetros econômicos. Não há chance, afirma, de uma ordem contrária do presidente Michel Temer

Parente tem segurança de que a abertura do pré-sal à operação autônoma de outras empresas ajudará o país, sem provocar qualquer prejuízo à estatal. Assevera, ainda, que não há mais risco de a rentabilidade ser desviada para o bolso de criminosos. ;Acabou a bandalheira.; A seguir, os principais trechos da entrevista.

Acabou a corrupção na Petrobras?
Faz seis meses hoje que estou na empresa. Implantamos, nesse período, uma série de procedimentos e rotinas, por exemplo, só para dar uma ideia: todos os fornecedores passam por uma avaliação de integridade. Se eles não têm uma avaliação positiva, nem entram no processo de compras. Outro exemplo: você não tem mais nenhuma decisão individual na empresa. O que podia acontecer antes, que eram contratos de valores muito expressivos serem decididos por uma única assinatura, de um único diretor, não tem hipótese de acontecer na empresa hoje. Não vai nem sair do lugar. Várias questões foram mudadas. Aspectos que estão no estatuto da empresa seguem a nova lei de governança das estatais. Isso realmente cria um sistema de controle interno e tem vários mecanismos de prevenção.

Isso vale para os contratos antigos, que já estavam em andamento?
Qualquer mudança nesses contratos passa pelos mesmos processos. Não é o fato de ser um contrato antigo que permite ou determina que siga a regra de antigamente. Negativo. Se tiver um aditivo, tem que explicar muito bem explicadinho por que precisa do aditivo. Calcula-se o valor presente daquele aditivo, e isso passa por, no mínimo, cinco comitês. Uma vez eu estava em um evento com o presidente da Eletrobras e achei muita graça, porque ele disse que, em qualquer decisão que seja tomada, o jurídico tem que dar o parecer. Eu falei: ;Pô, mas só o jurídico?;. Aqui são, no mínimo, cinco. Isso não é reclamação, não. É exatamente para que a gente possa ter segurança de que criou as barreiras que tornam realmente muito difícil acontecer o que aconteceu no passado.

Esse processo de recuperação e reorganização da empresa vai demorar quanto tempo?
No processo de reorganização, fizemos mudanças no que nós chamamos de três ondas. E a terceira onda já foi implantada. A gente está com a nova estrutura da empresa completamente em funcionamento. Sob o ponto de vista de metodologia de processos de gestão, tudo terá início a partir de 1; de janeiro de 2017, exatamente para ajudar a cumprir as metas dos nossos planos.

A Odebrecht publicou anúncio com um pedido público de desculpas. O que eles fizeram é perdoável?

Em relação à maneira como as coisas aconteciam em termos de obras públicas, estamos tendo uma revolução. O que está acontecendo com a Odebrecht e outras empresas que assinaram acordos de leniência e apresentaram pedido de desculpas público, sem dúvida nenhuma, é uma revolução. Temos que ver dessa forma a partir do momento em que essas empresas se tornem resistentes a determinados tipos de abordagem. Então, é isso mesmo: se a empresa é ética, se para fazer tem que pagar, não faz. Isso vai ajudar a criar uma situação em que tais questões, se ocorrerem, serão muito mais limitadas. Se é perdoável ou não, quem sou eu para avaliar? As autoridades, procuradores da República e o ministro Teori Zavascki vão dizer se isso é válido ou não. Eles, melhor do que ninguém, podem avaliar. Pode ser uma mudança muito importante no quadro das práticas negociais brasileiras, especialmente no campo das obras públicas.

Há riscos de se repetir a corrupção na Petrobras?

Nenhum. Posso dizer, sem dúvida nenhuma, que há mecanismos estabelecidos que deixam a Petrobras como uma companhia benchmarking em sistema de controle interno. Responsavelmente, nenhum dirigente pode ir além de dizer que está realmente organizando a sua empresa para ter os melhores sistemas de controle interno, de conformidade e de compliance, de tal forma a tornar extremamente difícil qualquer possibilidade dessa natureza. Vamos lembrar que, nas coisas que aconteceram, acima de tudo, a Petrobras foi vítima. Não foi um agente que se beneficiou do que aconteceu. Esse é um ponto importantíssimo para se levar em consideração nesta discussão.

Dirigentes da gestão petista disseram que a corrupção só poderia ter sido descoberta em uma investigação policial, não por dentro da empresa. É isso mesmo?
Bom, existem determinadas situações que, de fato, só poderiam ser detectadas por mecanismos que não estão ao alcance da empresa, por exemplo, investigações policiais, quebra de sigilo e tudo mais. Agora, havia indícios que poderiam levar a indicações de que estaria acontecendo algum tipo de problema. É muito difícil, não estando na companhia naquele momento, saber se isso existiu ou não. Mas, de fato, os próprios delatores dizem que, o que eles fizeram foi fora da empresa, sem usar o telefone da empresa, por meio de e-mails e contatos de fora. As coisas aconteciam após os contratos assinados na relação direta entre contratados e executivos, e entre contratados e maus políticos.

Há quem diga que a roubalheira é antiga e que já acontecia muito antes dos governos petistas, não é?
Na delação do Nestor Cerveró, ele fala que, na transação na Argentina, na compra da Perez Companc, teria havido a d

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