Polícia Civil dá prazo a autoridades

Polícia Civil dá prazo a autoridades

» Renato Souza Especial para o Correio
postado em 10/02/2017 00:00
 (foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
(foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)



Policiais civis do Espírito Santo iniciaram a contagem regressiva para uma greve geral, que pode tornar mais grave a situação da criminalidade no estado. Em assembleia geral, realizada na tarde de ontem, a categoria decidiu pela paralisação. Mas os policiais optaram por não parar os trabalhos imediatamente e deram um prazo de 14 dias para que o governo capixaba negocie as reivindicações. Desde sábado, a violência explodiu com o movimento dos policiais militares, que estão aquartelados.

A principal reivindicação tanto da Polícia Militar quanto da Polícia Civil é o reajuste nos salários. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol), Jorge Emílio, afirma que o prazo foi uma alternativa para não prejudicar a população. ;A categoria foi unânime em relação à greve geral. Mas resolvemos não parar os serviços agora, pensando na população, que está sofrendo com toda essa situação. Não podemos abandonar a sociedade agora. Mas o prazo está correndo e o governo é quem tem a decisão nas mãos agora;, destaca.

A presença de tropas das Forças Armadas e da Força Nacional não foi suficiente para impedir a onda de crimes. Na manhã de ontem, o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Guarapari, no Espírito Santo, Wallace Barão, foi morto a tiros. O corpo foi localizado por volta das 7h da manhã, dentro de um veículo, em Vila Velha, na região metropolitana de Vitória, onde morava. A vítima trabalhava como cobrador para a viação Sanremo.

Após a morte do dirigente sindical, todos os rodoviários de Vitória, capital do estado, voltaram ao terminal e pararam por tempo indeterminado. O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Vitória, Edson Bastos, conta que os coletivos tentaram circular, mas foram impedidos por criminosos. ;Não vamos voltar a trabalhar enquanto não tiver segurança nas ruas. Colocamos os carros nas ruas pela manhã. Então os criminosos mandaram os motoristas voltarem para as garagens. Eles ameaçam dizendo que não é para circular. A chegada das Forças Armadas não está surtindo efeito nenhum até o momento;, destaca Edson.
A cada dia os crimes ficam mais chocantes na capital e no interior. O número de homicídios já passa de 110, segundo contagem extraoficial de peritos da Polícia Civil. Duas crianças e cinco adultos foram baleados em um arrastão na Avenida Contorno, em Cariacica. Os acusados renderam uma família e obrigaram o motorista a parar o veículo atravessado na via, impedindo a passagem dos demais automóveis. Com a via bloqueada, dezenas de assaltantes passaram recolhendo pertences de quem passava pelo local. Um caminhoneiro comunicou militares do Exército sobre o que estava acontecendo. Na troca de tiros entre os militares e os criminosos, sete pessoas foram baleadas.

A sensação de insegurança, os homicídios e arrastões continuam em alta em todo o estado. A população ainda não tem segurança de sair às ruas e o comércio continua fechado. As escolas, universidades e unidades básicas de saúde permanecem com os serviços interrompidos. A estudante Júlia Amaral, de 18 anos, moradora de Cariacica, região metropolitana de Vitória, conta que as aulas já deveriam ter começado, mas foram adiadas por conta da crise de segurança. ;O estado inteiro parou. As pessoas não saem de casa, os mercados só abrem por algumas horas e os serviços públicos não funcionam. As minhas aulas já deveriam ter voltado, mas as escolas estão fechadas. Além disso, não tem ônibus e não teríamos como nos deslocarmos. Até agora eu não vi o Exército aqui no meu bairro. Mas parece que ao menos a sensação de abandono por parte do governo reduziu, em comparação com a semana passada;, destaca Júlia.

Os mortos

Com a Secretaria de Segurança Pública omitindo os dados da violência que assola o Espírito Santo, cabe ao Sindicato dos Policiais Civis fazer um balanço dos índices de criminalidade. Uma lista com os nomes dos mortos é atualizada e repassada entre os agentes. Entre os nomes da lista da morte, estão inocentes, trabalhadores, jovens, pessoas com passagem pela polícia por uso de drogas e envolvidos com criminalidade.

Um dos casos é da jovem Sandy Ferreira Farias, 17 anos, morta em Conceição da Barra, região norte do estado, na madrugada de quarta-feira. Sandy estava conversando com outros dois amigos, próximo a um bar. Um homem de moto passou atirando e baleou Sandy e os amigos. A jovem não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo. Os acusados do crime ainda estão soltos.

O jovem Paulo Victor Toquarto Ramalhete resolveu parar para conversar com alguns amigos na praça do bairro Novo México, em Vila Velha. Alguns minutos depois, alguns homens passaram atirando. Paulo Victor não conseguiu correr a tempo e morreu no meio da praça. O pai do garoto contou que ele foi preso há vários anos por tráfico de drogas. Mas não recebia ameaças e havia cumprido toda a pena definida pela Justiça.

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