Suspeitos de tentar matar Erdogan são julgados

Suspeitos de tentar matar Erdogan são julgados

postado em 21/02/2017 00:00
 (foto: Kayhan Ozer/AFP)
(foto: Kayhan Ozer/AFP)



Pena perpétua. É a sentença solicitada pela promotoria a cada um dos 47 suspeitos de terem tentado assassinar o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, em um complexo hoteleiro da costa do Mar Egeu, durante golpe de Estado frustrado de 15 de julho passado. O julgamento teve início ontem, na cidade de Mugla (oeste). Entre as 47 pessoas no banco dos réus, 44 são mantidas em prisão perpétua. Outras três, que estão sendo procuradas, são julgadas à revelia.

Alguns de terno e gravata, os acusados foram levados ao tribunal pelas forças de segurança diante das câmeras de televisão e sob vaias dos presentes, constataram jornalistas da agência France-Presse no local. Erdogan estava de férias com a família no balneário de Mármara, na província de Mugla, quando o golpe de Estado frustrado ocorreu.

De acordo com ele, um comando de militares atacou o complexo hoteleiro no qual se encontrava. ;Se tivesse permanecido ali por mais 10 ou 15 minutos, teria sido assasinado ou capturado;, declarou Erdogan, em entrevista à rede de TV CNN três dias depois. Dois policiais encarregados da segurança do presidente no hotel morreram em um tiroteio, segundo a acusação.

Citado pela agência de notícias Euronews, Nihat ;ztürk, deputado do partido de Erdogan, classificou o julgamento de ;causa nacional;. ;Todos os cidadãos que vivem neste país têm que defender a soberania da Turquia, incluindo o partidos da oposição CHP (Partido Republicano do Povo). Não se trata apenas de Edogan;, lembrou. O governo da Turquia acusa o clérigo islâmico moderado Fethullah Gulen, exilado nos Estados Unidos, de ser o arquiteto do complô para tomar o poder em Ancara.

Repressão
Uma semana depois da tentativa de golpe, o governo de Erdogan declarou estado de emergência ;para ser capaz de remover rapidamente todos os elementos da organização terrorista envolvidos; no plano. Ao menos 43 mil pessoas foram detidas, sob suspeita de cumplicidade. Milhares de oficiais, pilotos, policiais, funcionários públicos e professores universitários foram demitidos por suspeita de ligação com o movimento de Gullen. Dezenas de veículos da imprensa também acabaram fechados. Segundo a rede de TV Al-Jazeera, cerca de 100 mil turcos foram expurgados de seus empregos ou suspensos, e mais de 50 mil levados presos, em uma repressão sem precedentes no país.

O governo Erdogan denuncia os seguidores de Gullen, chamados de gulenistas, por uma campanha pnvara derrubar o Estado, por meio da infiltração em instituições turcas, particularmente o Exército, a polícia e o Judiciário. A violência provocada pela tentativa de golpe deixou 248 mortos e 2,2 mil feridos, de acordo com a agência de notícias turca Anadolu.

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