Diagnóstico rápido para a tuberculose

Diagnóstico rápido para a tuberculose

postado em 28/03/2017 00:00
 (foto: Cris Bouronce/AFP
)
(foto: Cris Bouronce/AFP )


A tuberculose acompanha a humanidade há no mínimo 9 mil anos, idade de duas múmias encontradas na costa de Israel, em 2008, com sinais de que portavam a bactéria. Além de antiga, a doença é letal: apenas nos dois últimos séculos, estimativas atribuem a ela cerca de 1 bilhão de mortes.

A dificuldade para diagnosticar a tuberculose é um dos fatores que atrapalham os esforços mundiais para controlá-la. Pensando nisso, oito grupos de pesquisadores de várias instituições se uniram para desenvolver o primeiro exame de sangue capaz de confirmar rapidamente o diagnóstico e avaliar a severidade de casos ativos da doença.

O NanoDisk-MS usa a nanotecnologia para detectar os níveis de duas proteínas no sangue dos pacientes: CFP-10 e ESAT-6, liberadas pela bactéria causadora da tuberculose apenas durante infecções ativas ; contagiosas e com sintomas. O teste não apenas supera a performance dos métodos atuais, como também apresenta o resultado em poucas horas. O estudo foi publicado ontem, na edição on-line da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

;Atualmente, o muco expelido na tosse, os testes de cultura de sangue, as biópsias invasivas dos pulmões e dos nódulos linfáticos, além das punções lombares, são as únicas formas de diagnosticar a doença;, disse o pesquisador Tony Hu, líder do estudo. ;Esses exames podem dar falsos negativos, e levam dias, ou até semanas, para dar resultados.;

Bactéria dormente

A bactéria pode ficar dormente por décadas antes de manifestar seus sintomas e tornar-se contagiosa. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até um terço da população mundial pode carregar a bactéria em estado dormente. Ainda segundo a OMS, cerca de 10 milhões de pessoas desenvolvem a tuberculose anualmente, e 2 milhões morrem.

;Nós estamos animados com a capacidade de o nosso teste dar resultados rápidos, que possam ser usados para monitorar o efeito dos tratamentos;, disse Tony. ;Além disso, a nossa tecnologia pode ser usada com instrumentos clínicos padrões, encontrados em hospitais do mundo todo.;

Os exames atuais perdem a eficiência em pacientes portadores do HIV, ou nos que apresentam a tuberculose em tecidos fora do pulmão. Nesses casos, uma biópsia pode ser necessária. O NanoDisk-MS, porém, detecta infecções com uma precisão de 92%, mesmo se o paciente também porta o HIV.

Tony e suas equipes estão agora melhorando o teste de tuberculose, para que seu uso clínico seja aprovado, e a estratégia utilizada no método pode também ser adaptada para outras doenças infecciosas no futuro.

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