Eixo capital

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Ana maria campos/anacampos.df@dabr.com.br

TUITADAS Acompanhe a cobertura da política local com @anacampos_cb
postado em 25/06/2017 00:00




Fraga e Izalci dependem da Justiça
O cenário de disputa para as próximas eleições no DF está nebuloso. A Lei da Ficha Limpa, que já tirou do páreo políticos como Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz, pode atrapalhar os planos de outros dois potenciais candidatos ao Palácio do Buriti: os deputados Alberto Fraga (DEM/DF) e Izalci Lucas (PSDB/DF), que respondem a processos penais no Supremo Tribunal Federal (STF). Com tantas discussões sobre a Lava-Jato, é possível que os ministros não tenham tempo para analisar as denúncias contra os dois parlamentares e pode ser também que sejam absolvidos. Mas a dúvida vai persistir até a véspera das eleições.

Risco de bala perdida
Denunciado por concussão ao supostamente exigir propina para beneficiar cooperativas de transporte, o deputado Alberto Fraga (DEM) deve se preocupar mais com outro processo em estágio mais avançado: a condenação por porte ilegal de armas. Neste caso, ele já tem decisão contrária em segunda instância, mas o processo foi remetido ao STF por causa do foro especial. Aguarda, no gabinete do ministro Dias Toffoli, o julgamento de um embargo infringente que começou a tramitar no Tribunal de Justiça do DF. Se o STF mantiver a condenação e o caso transitar em julgado, Fraga ficará inelegível. Por ironia do destino, o líder da bancada da bala será atingido pelo porte ilegal de munição.

Cara conhecida
Candidato a governador que disputou o segundo turno com Rodrigo Rollemberg (PSB) em 2014, o ex-deputado Jofran Frejat (PR) ainda é considerado um potencial adversário forte, principalmente pelo tipo de campanha que virá em 2018. O prazo será menor, de apenas 75 dias, e o dinheiro para divulgar candidaturas, bem mais curto. Pela legislação eleitoral em vigor, só valem doações de pessoas físicas e mesmo o caixa dois estará abalado pelas delações da Lava-Jato. Com isso, sai na frente quem já é conhecido, apesar de as pesquisas indicarem que o eleitor está preferindo alguém com cara de novidade.

Rejeição total da Polícia Civil

Uma pesquisa divulgada na semana passada pelos sindicatos da Polícia Civil do DF mostra em números o que já se sentia ouvindo a classe. A categoria vai fazer campanha contra o governador Rodrigo Rollemberg na próxima eleição. O clima na corporação é de inimizade com o atual governo. Pelo levantamento, 93,6% dos policiais civis consideram a gestão de Rollemberg ruim ou péssima. Ninguém aponta como ótima e apenas 0,4% avaliam como boa. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Parolle, entre 19 e 21 de junho.

O futuro das delações

Tendo como pano de fundo a colaboração de Joesley Batista no inquérito contra o presidente Michel Temer, a discussão jurídica da semana foi o futuro das delações premiadas. O STF sinaliza que, na fase inicial, o relator pode homologar monocraticamente um acordo fechado pelo Ministério Público. Mas até o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato, considera que, na fase de sentença, no fim do processo, o plenário pode avaliar se os benefícios concedidos ao delator valeram a pena. O primeiro a apontar essa possibilidade foi o ministro da Justiça, Torquato Jardim, em entrevista ao Correio e ao programa CB.Poder na semana passada. Esse cenário cria uma incerteza para as delações: num plenário com posições tão diversas como o dos tribunais superiores, não dá para assegurar totalmente a um colaborador que ele terá, no fim das contas, o benefício prometido.

Contra a homofobia
A primeira-dama, Márcia Rollemberg, foi uma das principais entusiastas da regulamentação da lei contra homofobia, aprovada há 17 anos, de autoria dos então deputados Rodrigo Rollemberg (PSB) e Maria José Maninha (PSol). No evento, no Palácio do Buriti, assim que o marido assinou o texto, Márcia gritou radiante: ;Brasília Cidadã;.

Comunidade LGBT agradece
Apesar da demora para regulamentar a lei que pune a homofobia no DF, os militantes LGBTs não demonstraram ressentimento com o governador Rodrigo Rollemberg. Assim como Maria José Maninha, ele foi muito aplaudido no concorrido evento de assinatura do decreto que regulamenta as normas. Maninha também agradeceu e disse estar satisfeita com a medida, apesar de se movimentar em campo político adversário a Rollemberg. O governador, por sua vez, respondeu que eles não estão tão distantes assim na forma de atuação.

Para acompanhar o Mané
Está previsto para começar nesta terça-feira o julgamento da primeira auditoria do Tribunal de Contas do DF na obra do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha.

Enquanto isso...

Na sala de Justiça
Os promotores de Justiça responsáveis pela Operação Genebra estudam propor uma delação premiada aos investigados no caso do suposto desvio de recursos da Secretaria de Saúde para o contrato de gestão com a Cruz Vermelha para a administração de duas UPAs, assinado em 2010.

Mandou bem
O deputado Chico Vigilante (PT) deu uma demonstração de transparência ao anunciar, na condição de homem público, que está em tratamento de câncer na tireoide. Até a véspera da cirurgia para extração dos nódulos, ele participou bravamente da discussão sobre o projeto de criação do Instituto Hospital de Base na Câmara Legislativa.

Mandou mal
O ministro Admar Gonzaga, do TSE, se envolveu numa briga conjugal que foi parar na delegacia, com queixa de agressão física. A defesa do magistrado alega que tudo não passou de um ;desentendimento com exasperação de ambos os lados; e que o caso será tratado na esfera privada.

Só papos

"No modelo centralizado atual, o Hospital de Base está entrando em colapso diante dos olhos de todos. Deixar como está será uma grande irresponsabilidade."
Jairo Bisol, promotor de Justiça de Defesa dos Serviços de Saúde do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT)

"Afirmar que a mudança de modelo para serviço social autônomo transformará a saúde como vara de condão é enganar a população."
Júlio Marcelo de Oliveira, procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU)


À QUEIMA-ROUPA

Ibaneis Rocha
Advogado, ex-presidente da OAB-DF, conselheiro federal da OAB

Seu nome tem sido citado como possível candidato até a cargo majoritário nas próximas eleições. Você tem a pretensão?
O Distrito Federal precisa melhora

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