Sem deixar pendências

Sem deixar pendências

postado em 30/06/2017 00:00


O jogo do governo está posto e a estratégia de acelerar o trâmite de Raquel Dodge como a nova procuradora-geral da República é considerada até por alguns integrantes do Ministério Público Federal como uma boa jogada, porque isso, de certa forma, tiraria o foco das ações de Rodrigo Janot. Porém, até 17 de setembro, quem tem a caneta na mão é ele e, segundo pessoas próximas ao procurador-geral, a intenção é não deixar pendências para Raquel, já que, assim, ela poderia revisar ações e acordos.

Além da denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer entregue por Janot nesta semana ao Supremo Tribunal Federal (STF), há ainda duas peças que estão por vir, possivelmente, acusando o presidente da República de associação criminosa e obstrução de Justiça. Há também, na mesa do procurador-geral, investigações contra parlamentares e sugestões de delações premiadas que podem ser negociadas. Por exemplo: a do doleiro ligado ao PMDB Lúcio Funaro e a do deputado cassado Eduardo Cunha, ambos presos. ;Até setembro, quem está no comando é o Janot. Até lá, ele é que tem o poder de requisitar inquéritos, oferecer denúncias e fazer acordos de colaboração premiada;, lembra um integrante da Lava-Jato.

Na opinião do professor de direito eleitoral Igor Pinheiro, Janot ainda fará muita coisa até setembro e a tendência é de que as coisas esfriem um pouco na PGR com a mudança de chefia. Para ele, a alternância de poder será salutar para o país e para as investigações da Lava-Jato. ;Janot demonstrou maturidade democrática ao não se candidatar para um terceiro mandato. Claro que será diferente, é uma nova chefia, mas o protagonismo do MPF hoje é decorrência de uma evolução social, de um povo que não aceita mais os mandos e desmandos, e isso não vai mudar;, acredita.

Dino em 2009

O fato de Michel Temer ter quebrado uma tradição ao não escolher o primeiro nome indicado pela lista tríplice eleita pela categoria ainda repercute negativamente entre procuradores. O mais curioso é que o campeão de votos, o subprocurador-geral da República Nicolao Dino, já foi beneficiado pela situação, em 2009. Na época, o então procurador-geral, Antonio Fernando, escolheu Dino para o cargo de representante do MPF no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), em detrimento ao procurador Tranvanvan da Silva Feitosa, que teve 339 votos, três a mais que Dino na votação. Para piorar, o Senado rejeitou o nome de Dino na sabatina.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação