Encontro de virtuoses

Encontro de virtuoses

Os violonistas Guinga e Lula Galvão apresentam show no Espaço Cultural do Choro, com um repertório recheado de surpresas. Eles são parceiros há mais de 20 anos em projetos no Brasil e no exterior

Irlam Rocha Lima
postado em 06/07/2017 00:00
 (foto: Manfred Pollert/Divulgação)
(foto: Manfred Pollert/Divulgação)




Guinga e Lula Galvão são parceiros musicais há mais de 20 anos. Em vários dos seus discos, o violonista e compositor carioca, um dos gigantes da MPB contemporânea, conta com o auxílio luxuoso do também violonista (e guitarrista), nascido em Brasília, onde, na primeira metade da década de 1980, deu início à carreira artística.

Nas duas últimas décadas, os dois fizeram juntos também incontáveis shows no Brasil e no exterior. Compromissos diversos das agendas de cada um, os levaram a um indesejável distanciamento de dois anos. Hoje e amanhã, porém, esses músicos virtuosíssimos se reencontram aqui na cidade, num show inédito, no qual vão espalhar belos acordes pelo Espaço Cultural do Choro.

;A bem da verdade, Lula esteve ao meu lado, em 22 de junho, no Teatro Municipal de Niterói, mas naquela noite dividimos o palco com a grande cantora Mônica Salmaso. Mas é nessas duas apresentações no Clube do Choro que vamos retomar o nosso trabalho em duo;, explica Guinga, sem esconder o entusiasmo.

Sem uma definição prévia do repertório a ser mostrado para o público brasiliense, ele diz. ;Certamente, vamos tocar coisas que sempre fizemos em duo, alguns arranjos do Lula para os meus discos, mas sem deixar de fora temas mais conhecidos. No momento solo do show, vou me ater um pouco ao Canção da impermanência, o álbum gravado na Alemanha, que lancei no primeiro semestre;, anuncia.

Guinga destaca a participação de Lula em alguns dos seus trabalhos: ;A primeira vez em que ele trabalhou comigo foi em 1994, quando gravei o álbum Cheio de dedos. Depois, participou do Suíte Leopoldina e do Noturno Copacabana. Fizemos ainda os violões no Catavento e girassol, disco da Leila Pinheiro com músicas compostas por mim e Aldir Blanc;, conta.

Quando fala de Lula, Guinga é só elogios: ;Vejo-o como um dos maiores harmonizadores, e um arranjador talentosíssimo, que pertence a uma escola que vem de Baden Powell, Hélio Delmiro e Toninho Horta. Além de saber tudo de música popular, tem bom conhecimento de música clássica. Certa vez, me surpreendi, vendo-o harmonizar Romeu e Julieta de Schaikoviski. Me impressionou porque cada nota era um acorde;.

Os dois estiveram lado a lado em várias turnês pelo Brasil, Europa, Estados Unidos. ;Depois de um show que fizemos, em algum país da Europa, que não me recordo agora, o fabuloso gaitista belga Toots Thielmans foi até o nosso camarim e me perguntou ;de que planeta veio esse violonista?;, referindo-se a Lula;, recorda-se.

Mais de 20 CDs e um DVD ; o Dobrando a Carioca, gravado com Jards Macalé, Moacyr Luz e Zé Renato ; registram parte da obra de Guinga. Importantes cantoras da MPB, incluíram composições dele em seus repertórios, entre elas Elis Regina (Bolero de satã), Mônica Salmaso (Senhorinha) e Leila Pinheiro (Catavento e girassol e Baião de Lacan); enquanto o pianista Sérgio Mendes gravou Atlântica.

Com presença frequente no exterior, Guinga volta aos Estados Unidos no próximo mês, onde faz concerto no jazz club Benkelley, em São Francisco; e pela 17; vez, toma parte no California Brazil Camp, no qual comanda oficina sobre sua música. Desse evento, ele guarda ema ótima lembrança. ;Foi lá que conheci e fui orientador do brasiliense Ian Faquine, filho do blueseiero Adriano Faquine. Aos 16 anos, já demonstrava ser um promissor instrumentista. Hoje, aos 23, um elogiado mestre de violão e guitarra, com trabalho reconhecido internacionalmente;.



Do punk à MPB

Quem diria! No início da carreira em Brasília, a convite de Flávio Lemos, Lula Galvão chegou a integrar o Aborto Elétrico, ao lado, também, de Fê Lemos e Renato Russo. Foi por pouco tempo, mas o violonista e guitarrista guarda essa passagem na memória. Hoje em dia, ligado à MPB e ao jazz, tem tocado com intérpretes consagradas, do porte de Edu Lobo, Nana Caymmi, Rosa Passos e Mônica Salmaso. Acompanhando Rosa, faz show de 21 a 23 próximos em Curitiba.

Mas a atuação maior de Lula é com o Cello Samba Trio, grupo em que tem como companheiros o violoncelista Jaque Morelembaum e o baterista Rafael Barata. ;Além de muitas apresentações no Brasil, há 12 anos temos feito turnês pela Europa. Em 2015 lançamos do CD Saudade do futuro ; Futura da saudade;, ressalta.

Em 2009, Lula lançou o CD solo Bossa da minha terra, que saiu no Brasil pela Biscoito Fino, e no Japão pelo selo Groovin Highs. ;Nesse disco, gravei alguns standards, ente os quais Outra vez (Tom Jobim), Você eu (Carlos Lyra), Minha saudade (João Donato) e Change partners (Irving Berlim);, comenta.

Para Lula Galvão, radicado no Rio de Janeiro há 30 anos, Guinga ;é um dos maiores compositores vivos em todo o mundo. Nas muitas turnês que fizemos pela Europa e Estados Unidos, pude perceber o quanto ele é admirado por jazzistas e músicos em geral, tanto como instrumentista quanto como compositor. Tocar com ele é uma honra para mim;, afirma. ;Estou muito feliz igualmente por voltar a tocar no Clube do Choro, espaço artístico que é referência no Brasil e no exterior;, complementa.

Guinga e Lula Galvão
Show hoje e amanhã, às 21h, no Espaço Cultural do Choro (Eixo Monumental, ao lado do Centro de Covenções Ulysses Guimarães), pelo projeto Clube do Choro ; 40 Anos. Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia para estudantes). Não recomendado para menores de 14 anos. Informações: 3224-0599.



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