Funcionário do BB que se mudar terá incentivo

Funcionário do BB que se mudar terá incentivo

Para reforçar atendimento em cidades consideradas estratégicas, Banco do Brasil oferece aumento salarial de até 60% aos empregados transferidos. Processo deve ocorrer em três semanas. Na nova etapa de reestruturação, instituição abrirá 86 unidades digitais

» ANTONIO TEMÓTEO
postado em 06/01/2018 00:00

O Banco do Brasil iniciou ontem uma nova etapa da reestruturação, assim como antecipou o Correio, em 8 de dezembro de 2017. Mais enxuta que a anterior, a reformulação terá foco no remanejamento de pessoal entre as diversas praças para reforçar o atendimento aos clientes onde há maior demanda. Os empregados que aceitarem a mudança receberão um incentivo financeiro para o deslocamento e, em alguns casos, podem ser até promovidos.

Como incentivo, os funcionários podem receber aumento salarial de até 60%, por um ano, para mudar de praça. Esse incentivo valerá para quem se transferir para um dos 150 municípios que a instituição definiu como estratégicos. Além disso, o banco público reforçará o atendimento em escritórios especializados para pessoas físicas e jurídicas e para o agronegócio.

Atualmente, 72,1% do total de acessos às contas é feito por dispositivos móveis e por computadores. Mais de 21 milhões de clientes, entre pessoas físicas e empresas, utilizam esses canais. Em março de 2011, eram 11,4 milhões. Portanto, houve um crescimento de 89% em seis anos.

Serão abertas 86 unidades digitais para pessoas físicas e 40 agências físicas para atendimento a empresas em todo o país. O Distrito Federal receberá um novo ponto focado na prestação de serviço para pessoas jurídicas em Ceilândia.

Também receberão novas agências para o atendimento de empresas os municípios goianos de Itaja e Indiana. Além desses, São Gabriel da Cachoeira (AM), Conchas (SP), Arinos (MG) e Itaobim (MG) ganharão novos pontos de atendimento focados em serviços para empresas.

Gerentes


O banco quer aumentar em 1.267 o número de gerentes e assistentes especializados nos segmentos pessoa física, empresas e agronegócios, o que possibilitará que 800 mil novos clientes passem a ser atendidos pelos modelos digitais do BB. Esse grupo deve ser dividido entre 817 carteiras. Atualmente, a instituição financeira possui 4,6 milhões de clientes pessoas físicas em 8.230 carteiras. Além disso, a empresa pública presta serviço para outras 600 mil empresas, em 3.830 carteiras.

O presidente do BB, Paulo Rogério Caffarelli, detalha que o processo iniciado é diferente do que ocorreu no fim de 2016. Segundo informou, naquela oportunidade a meta do banco era reduzir despesas. Com isso, houve o desligamento incentivado de 9.408 empregados e o fechamento de 402 agências. Caffarelli explica que agora a medida quer aperfeiçoar o atendimento aos clientes, sem o aumento de despesas.

A instituição financeira ainda criará três centrais de atendimento, em Recife (PE), Ribeirão Preto e Florianópolis (SC), para demandas de clientes e para dúvidas de funcionários em agências. ;Também vamos reforçar as equipes onde o atendimento está estrangulado, com remanejamento de empregados;, destaca Caffarelli.

Além disso, o presidente do BB ressalta que não haverá qualquer demissão. ;Nossa meta de saída de funcionários é zero. Não queremos que nenhum funcionário saia do banco;, diz. Após a conclusão desse processo de remanejamento de pessoal, previsto para ocorrer em até três semanas, a instituição financeira validará o Plano de Adequação de Quadros, exclusivo para o excedente de empregados de algumas praças.

Os pedidos de desligamento incentivado serão realizados entre 8 e 26 de janeiro. Somente após o resultado do remanejamento é que as solicitações serão ou não atendidas. O BB pagará até 10 salários-base por empregado, com teto de R$ 200 mil. Esse valor considerará a indenização, a multa rescisória, aviso-prévio e ressarcimento do plano de saúde.

Mudanças


Antes da primeira reestruturação, o BB gastava com a folha de pagamento pelo menos R$ 3 bilhões a mais que os concorrentes diretos. No primeiro semestre de 2016, a instituição desembolsou R$ 9,3 bilhões com a remuneração dos empregados. No mesmo período, os salários dos funcionários, somados aos encargos e benefícios, custaram ao Bradesco R$ 6,5 bilhões, e ao Itaú Unibanco, R$ 5,8 bilhões.

O balanço do terceiro trimestre do BB mostrou que as medidas tomadas no fim do ano passado influenciaram positivamente a rentabilidade da instituição. Nos nove primeiros meses de 2017, em comparação com o mesmo período do ano passado, as despesas com pessoal encolheram 5,7%, passando de R$ 15 bilhões para R$ 14,1 bilhões. Já as despesas administrativas caíram 2,8%, de R$ 24,2 bilhões para R$ 23,5 bilhões. Com isso, o lucro líquido teve expansão de 11,8% e subiu de R$ 7 bilhões para R$ 7,9 bilhões.

Além de melhorar os resultados, o BB tem sido beneficiado pela retomada da geração de empregos e do crescimento. A inadimplência das operações de crédito acima de 90 dias caiu de 4,11%, no segundo trimestre, para 3,94% no terceiro trimestre deste ano, em movimento que interrompeu a trajetória ascendente iniciada em dezembro de 2016.

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