Vicente Nunes

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Investidores estão mais interessados em saber quem sucederá Meirelles na Fazenda, pois não veem qualquer chance de vitória do ministro na disputa pela Presidência

Vicente Nunes vicentenunes.df@dabr.com.br
postado em 27/02/2018 00:00

Mosca da eleição


Ainda que não veja viabilidade política na candidatura de Henrique Meirelles à Presidência da República, o presidente Michel Temer dá como certo que seu quase ex-ministro da Fazenda irá para o tudo ou nada nas urnas em outubro próximo. ;Cada um corre os seus próprios riscos;, diz o emedebista, inclusive em relação a si próprio, que foi picado pela mosca da reeleição, mas acredita que está conseguido domar o veneno da vaidade.

Para Temer, somente uma virada muito, mas muito forte na sua popularidade nos próximos meses o levaria a inscrever seu nome nas cédulas que serão definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Como ele não acredita muito em milagres, quer priorizar seu cacife para escolher quem será o candidato do Palácio do Planalto à sua sucessão. Meirelles, se fosse mais palatável, seria o escolhido sem hesitação. O presidente, então, mapeia as forças reais do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Em conversas com os aliados mais próximos, Temer reconhece que, mesmo não sendo bom de votos ; quase não conseguiu se eleger deputado federal pelo Rio de Janeiro na última eleição ;, Rodrigo Maia pode surpreender, sobretudo se souber escolher um bom representante do Nordeste como vice. Um dos interlocutores do presidente chega a dizer que, se Maia for para o segundo turno, vence a disputa. Temer não tem essa certeza, reconhece, porém, que não há como subestimar o presidente da Câmara, que tem um discurso muito palatável entre os eleitores.

Quanto a Alckmin, o presidente acredita que é o melhor candidato. Contudo, terá que costurar alianças muito poderosas e construir palanques fortes nos três maiores colégios eleitorais ; São Paulo, Minas Gerais e Rio ; e fincar posição em estados importantes do Nordeste, como Pernambuco, Ceará e Bahia. Temer admite que o governador paulista tem habilidade para construir o apoio que precisa, mas, antes de tudo, precisa pacificar o PSDB, seu partido.

Fora do radar


Na avaliação de Ivo Chermont, economista-chefe da gestora de recursos Quantitas, dos três candidatos que disputam o apoio do Planalto, o mais forte para vencer a disputa pela Presidência da República é Alckmin. Ele ressalta que o mercado está apostando firme no tucano, pois não vê nenhuma chance de vitória em Meirelles nem em Maia. ;Esses dois estão fora do radar dos investidores. São atores políticos muito importantes, porém, não empolgam como candidatos;, assinala.

Em relação a Meirelles, o que realmente os investidores querem saber é quem irá sucedê-lo no Ministério da Fazenda. Pelo que foi acertado com Temer, o ministro dará a palavra final sobre o futuro chefe da equipe econômica. Neste momento, o nome mais provável é o de Eduardo Guardia, atual secretário executivo da pasta. Isso se encaixa na ideia do presidente de dar um caráter mais técnico ao ministério a partir de abril, quando se encerra o prazo de desincompatibilização dos que disputarão as eleições.

Temer, por sinal, já fez chegar a Dyogo Oliveira que ele continuará no comando do Ministério do Planejamento, a despeito de todo o lobby do senador Romero Jucá (MDB) a fim de transferir seu pupilo para a Fazenda. O presidente acredita que não há porque comprar essa briga com Meirelles, pois lhe deve muito, sobretudo por ter conduzido com sucesso a política econômica.

O emedebista não esconde que gostaria de terminar seu mandato com Meirelles como ministro. O problema é que o subordinado já montou toda a estrutura para botar sua campanha ao Planalto nas ruas. Os próximos dias vão mostrar o que pesará mais, a vaidade ou o senso de realidade.

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