Atores soberanos

Atores soberanos

Meryl Streep e Daniel Day-Lewis são fortes candidatos a mais uma estatueta do Oscar. Eles só perdem para Katherine Hepburn, vencedora de quatro prêmios

» Ricardo Daehn
postado em 27/02/2018 00:00
 (foto: Joe Klamar/AFP-24/2/13 )
(foto: Joe Klamar/AFP-24/2/13 )







;A mágica Meryl; ; assim estampada na capa da revista Time, há 36 anos, a atriz Meryl Streep, hoje com 68 anos, já era apontada como a ;melhor atriz da América;. No lugar de soberba e arrogância, a nobreza da atriz falou mais alto, e ela chegou a classificar tudo como uma promoção ;destrutiva; para a sua própria imagem e a convivência com os colegas atores.

Uma noção de grupo, de empreendimento coletivo, por sinal, modela o mais recente trabalho de Streep, que em The Post, sob a direção de Steven Spielberg, recebeu a 21; indicação ao Oscar. Brilhante na composição de Katharine Graham, editora do jornal que marcou posição contra o abuso de décadas de mentiras empilhadas pelo governo norte-americano, no tocante à Guerra do Vietnã, a atriz celebrou, em entrevistas promocionais de The Post, que os ;jovens cada vez mais têm ingressado nas escolas de jornalismo, por todos os Estados Unidos;.

Entre as sabidas benemerências de Meryl, sempre reconhecida pela ênfase na cidadania, estão o apoio (inclusive financeiro) ao Comitê de Proteção a Jornalistas. Engajada, a atriz nunca perde a chance de desacreditar discursos da atual era Trump. Em The Post, entretanto, voz e inspiração foram de via contrária, e positiva, como assumiu ao falar da composição, para as telas, de Katharine Graham, da qual extraiu a voz, ao ouvir a autobiografia (Personal history) lida pela autora que venceu o Prêmio Pulitzer. ;Quando ela estava com você e os olhos dela te buscavam, você era a única pessoa no mundo;, comentou para a imprensa estrangeira. Streep destacou ainda certa afinidade com o tipo de ;americana instruída; proposto por Graham, numa época que prevaleciam presença e classe.

Repassar a trajetória de vida doméstica de Streep não traz dos maiores desafios. Ela preza a relação estável com o marido, o escultor Dom Gummar, e tem uma família com quatro filhos. Da primeira vida conjugal, é sabido que cuidou do marido, o ator John Cazale, até a morte dele, vitimado por câncer. Nascida em Nova Jersey, Mary Louise, que estudou em Yale, surpreendeu desde cedo: na vida acadêmica, fez 40 peças de teatro em apenas três anos. O entrosamento com as aulas de ópera, na adolescência, assegurou o excelente desempenho em papéis ligados ao canto, entre os quais Caminhos da floresta, Florence: Quem é essa mulher?, Mamma Mia! e Lembranças de Hollywood.

Verdadeiro modelo

Dona de 28 indicações ao Globo de Ouro de melhor atuação, Meryl Streep é tanto um sinônimo de versatilidade quanto um emblema para a propulsão profissional feminina: em meados dos anos 1980, era a única atriz entre osnomes das 10 maiores bilheterias. Uma espécie de personagem modelo de pulso paira em filmes como A Dama de Ferro, As sufragistas, Silkwood ; O retrato de uma coragem e, para o mal, em fitas como O diabo veste Prada e Sob o domínio do mal. Irrepreensíveis, diretores como Fred Zinnemann e Woody Allen deram o terreno inicial para Streep, nos filmes Julia (1977) e Manhattan (1979). Streep, ao longo da carreira, foi talhada pela fina nata de cineastas composta por Clint Eastwood (do esplendoroso As pontes de Madison), Mike Nichols (A difícil arte de amar), Karel Reisz (A mulher do tenente francês) e Robert Altman (A última noite).

O preciso respeito a pausas dramáticas e uma elaboração de sentimentos indefinida entre o emotivo e o racional projetam a magnetismo de Streep. Exemplos claros desta arte se afirmaram em títulos dramáticos como Kramer vs. Kramer (com o qual ela levou o primeiro dos três Oscars), O franco-atirador (premiada pela Sociedade Nacional dos Críticos) e Holocausto (série pela qual ganhou um Emmy).

;Imitadora; nata, como ela mesma se diz, Streep nadou de braçada nas entonações ; se tornando a ;rainha dos sotaques;, em títulos como Julie & Julia (afrancesada), Plenty (inglesa), Um grito no escuro (vencedora de Cannes, interpretando uma australiana) e A escolha de Sofia, na qual viveu a sofrida trajetória de uma polonesa, na fita que lhe rendeu Oscar, além de Entre dois amores (na pele da autora dinamarquesa Karen Blixen). Entre dramalhões como Música do coração e Um amor verdadeiro, Meryl Streep promove a diferença, tomando as telas com papéis que vão de escritora (Adaptação) a mendiga (em Ironweed, do brasileiro Hector Babenco) até freira, em Dúvida.


Uma carreira impecável
Ator que faz a diferença




Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação