Recursos escassos para mobilidade

Recursos escassos para mobilidade

postado em 27/05/2018 00:00
 (foto: Reprodução/Internet - 10/1/18)
(foto: Reprodução/Internet - 10/1/18)



O forte desequilíbrio no orçamento federal vem fazendo com que governo sacrifique cada vez mais os investimentos, comprometendo a manutenção da infraestrutura existente e minando a ampliação de obras que poderiam ajudar a melhorar a vida dos contribuintes. Como a maior parte de tudo que o governo arrecada acaba indo para pagar despesas obrigatórias ; como a folha de pagamento e os benefícios previdenciários ;, que crescem em ritmo mais acelerado do que a inflação, sobram menos recursos para esses desembolsos. Não à toa, o país patina e não consegue voltar a crescer conforme o esperado após a crise econômica.

Especialistas lembram que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em 2007 pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para alavancar os investimentos em infraestrutura, praticamente caiu no esquecimento. Conforme dados do Tesouro Nacional, o volume de investimentos atingiu o pico de R$ 57,7 bilhões, ou 1% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2014, ano em que as contas públicas começaram a fechar no vermelho. No ano passado, caiu pela metade em termos percentuais, para R$ 29,6 bilhões e a tendência é de que, nos próximos anos, seja zerado.

A queda no investimento reflete na taxa de Formação Bruta de Capital Fixo em relação ao PIB, que atingiu o menor nível da história em 2017: 15,6%. Pelas estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), esse indicador não chegará a 20% do PIB nos próximos cinco anos, o que limitará um crescimento mais robusto daqui para frente.

O consultor Bernardo Figueiredo, ex-presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), reconhece que o investimento só encolhe diante da falta de equilíbrio nas contas públicas e acaba prejudicando o desenvolvimento do setor. ;O governo cobra outorga na concessão das ferrovias e, em vez de aplicar na melhoria de infraestrutura, bota o dinheiro no caixa do Tesouro para cobrir o deficit fiscal;, critica. Para ele, o setor de ferrovia é estratégico.

Figueiredo lamenta o fato de o projeto do trem-bala não ter saído do papel, apesar de custar menos do que os R$ 51 bilhões de prejuízo que a política de congelamento no preço da gasolina provocou na Petrobras. Na avaliação do consultor, é imprescindível que a ampliação da malha seja feita e que novos trechos sejam concedidos, porque há investidores de olho nas oportunidades que existem nesse setor.

A superintendente da ANPTrilhos, Roberta Marchesi, destaca que a falta de investimento no transporte ferroviário é sistêmica. ;A crise atual é uma grande oportunidade para que o próximo presidente comece, desde já, a pensar em mudar o quadro atual e a avançar na discussão de projetos de mobilidade urbana para as grandes cidades e, também, para as médias, que podem ter os mesmos problemas que as capitais passam daqui a alguns anos;, pontua. (RH)


;A crise atual é uma grande oportunidade para que o próximo presidente comece, desde já, a pensar em mudar o quadro atual e avançar na discussão de projetos de mobilidade urbana;
Roberta Marchesi, superintendente da ANPTrilhos


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