Médicos por um dia, e para a vida toda

Médicos por um dia, e para a vida toda

Para apresentar o dia a dia da graduação, projeto de extensão da UnB recebe alunos do ensino médio para que conheçam de perto o curso. Organizado pelos próprios universitários, o Medicina por um dia oferece uma experiência motivacional para aspirantes à profissão. Inscrições são gratuitas e estão abertas até 8 de setembro

Thays Martins*
postado em 02/09/2018 00:00
 (foto: Thays Martins/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Thays Martins/Esp. CB/D.A Press)

Todo mundo sabe que as vagas para medicina estão sempre entre as mais concorridas nos vestibulares pelo país. Na Universidade de Brasília (UnB), não é diferente. Conquistar um espaço na área é o sonho de muita gente que está prestes a terminar o ensino médio. Para que estudantes do ensino médio possam ter contato direto com o curso e não perder a motivação para fazer cumprir essa etapa com excelência, foi criado o projeto de extensão Medicina por um dia, iniciativa da Faculdade de Medicina (FM), que envolve a troca de experiências de estudantes de graduação com candidatos ao curso que ainda estão no ensino médio.

O programa funciona assim: durante um dia inteiro, secundaristas terão aulas e poderão conhecer as instalações da faculdade, que fica no câmpus Darcy Ribeiro. Qualquer pessoa matriculada no 3; ano do ensino médio pode participar. A próxima edição ocorre em 20 de outubro e os interessados podem se inscrever até 8 de setembro pela página no Facebook (www.facebook.com/medpor1dia). Ao todo, 100 alunos podem participar por edição. Dessas vagas, ao menos 50 estão reservadas aos matriculados em escolas públicas.

A coordenadora Gabriela Nunes da Cunha Rabelo, 22 anos, integra o projeto há três anos. Ela conta que conheceu o trabalho na outra ponta da história, como aluna do ensino médio. A experiência foi decisiva para a jovem, que hoje cursa o 7; semestre de medicina. ;Me apaixonei imediatamente pela medicina na UnB. Naquele dia, eu tive certeza de que não importava quanto tempo eu fizesse cursinho, eu queria entrar;, lembra. Na época, era preciso pagar R$ 80 para inscrição. Hoje, a atividade é inteiramente gratuita.

Para ela, a maior vantagem para quem participa é o incentivo para persistir nos estudos, e para os graduandos em medicina é poder lembrar da época em que almejavam entrar na UnB. ;É uma atividade em que lidamos com pessoas que querem estar onde estamos. E, como passamos pela mesma coisa, criamos muita empatia, por mais que as histórias sejam diferentes, têm uma ligação.;

Conversando com alunos do ensino médio, eles dizem que querem medicina para ajudar as pessoas. Isso renova nossa energia e é um momento em que paramos um pouco essa rotina de estudos;, completa Gabriela. Semestral, o programa recebe cerca de 400 inscrições a cada edição, e a seleção, explica a coordenadora, é feita por sorteio.

Conhecendo a rotina do curso

O ;dia de calouro; dos estudantes começa logo cedo, às 8h. No período da manhã, há aulas teóricas com professores da UnB. À tarde, eles partem para a parte prática do curso, conhecendo um pouco sobre anatomia, fisiologia e patologia. ;Eles aprendem a usar o esteto e esfigmo para escutar o coração e aferir pressão. Essa parte eles adoram, pois se sentem os médicos;, explica Gabriela, referindo-se aos dois instrumentos clássicos do imaginário da medicina. Com o estetoscópio nos ouvidos e o ressonador no peito do ;paciente;, eles começam a se sentir um pouco médicos também.
Em seguida, os inscritos conhecem o Centro Acadêmico de Medicina, a Atlética e a liga de traumas. Gabriela explica esta última: ;É um grupo de alunos que trabalha com ressuscitação cardiopulmonar (RCP). Eles trazem bonecos e ensinam o que deve ser feito caso uma pessoa tenha uma parada cardíaca na rua. Os estudantes do ensino médio também adoram essa parte.; As atividades terminam às 20h. Neste ano, pela primeira vez, foi organizada uma turma exclusivamente para quem já terminou o 3; ano e frequenta cursinhos para alcançar a vaga. ;Esse grupo é muito carente de projetos voltados para eles, por isso resolvemos expandir;, destaca Gabriela.

Escolha de vida
O ex-aluno Thalles Porfirio, 24, participou de todas as edições do Medicina por um dia. ;A principal ideia é interagir com esses secundaristas, mostrar para eles como é a vida de um estudante de medicina, a estrutura da faculdade e o acolhimento que existe no nosso ambiente. Quem participa acaba mais determinado e ciente de como vai ser;, garante. Graduado no fim do ano passado, Thalles trabalha atualmente como clínico médico na Unidade Básica de Saúde de Valparaíso.

Convidada por uma amiga, Letícia Dias, 18, participou do Medicina por um dia no fim do ano passado, quando ainda cursava o 3; ano no Colégio Podium como bolsista. Agora, ela comemora a aprovação em medicina na segunda chamada do Programa de Avaliação Seriada (PAS) da UnB. ;Eu nunca me enxerguei em outra área. Estava preocupada por causa disso e não me via na UnB, pois sempre achei que só ;gênios; entravam aqui;, lembra. Ela conta que o projeto a ajudou a enxergar as coisas de forma diferente. ;Tive contato com os depoimentos de alunos e eles ressaltaram que somente não passam aqueles que desistem. Isso me deu uma tranquilidade para fazer as provas.;

Para ela, quem está na fase do vestibular deve se conhecer bem para fazer uma escolha acertada. Cecília de Souza Silva, 18, estudante do 2; semestre de medicina, participou na última edição como organizadora. ;Quando eu estava no terceiro ano, queria ter participado e não consegui. Mas, agora, eu quis para mostrar para eles a felicidade que é estar aqui. Torço para que não desanimem por causa da concorrência. Acredito que tudo tem seu tempo.;

*Estagiária sob supervisão de Ana Sá

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