Pioneiro, mesmo sem querer

Pioneiro, mesmo sem querer

Marina Adorno Especial para o Correio
postado em 02/09/2018 00:00
 (foto: Faiara Assis/Divulgação)
(foto: Faiara Assis/Divulgação)


O catarinense Vilson Hartmann, 60 anos, é coordenador de todos os cursos da área de tecnologia e inovação da Universidade Católica de Brasília (UCB). Ao refletir sobre a trajetória que o levou até essa posição, afirma, entre risadas: ;Toda minha carreira na área de TI foi sem querer;.

Vilson se formou militar na Escola da Aeronáutica e foi transferido para Brasília em 1981. Na época, não havia cursos de computação; por isso, a maioria das pessoas que estão há mais tempo na área de computação são oriundas de outros cursos ; principalmente da área de exatas. ;Entrei por acaso na área de computação. Um amigo disse que eu tinha perfil e sugeriu o curso de processamento de dados;, afirma.

Coincidentemente, a Força Aérea estava criando os centros de computação da Aeronáutica e selecionando candidatos para cursos na área. Pela formação em engenharia mecânica, ele foi um dos escolhidos para fazer uma pós-graduação na área.

A entrada para a UCB não foi como professor. Em 1992, ele foi contratado como profissional de TI para solucionar problemas da universidade no setor. Dois anos mais tarde, foi convidado para compor o time docente da universidade e suprir a deficiência de professores que havia no curso da Católica. Na época, apenas a UnB e a UCB ofereciam cursos de tecnologia da informação.

Poucas mulheres
Atualmente, os cursos de TI se popularizaram. Existem várias opções para estudantes que têm interesse na área tecnológica. Vilson destaca que esse é um fenômeno muito particular no Brasil. Lá fora, só existe um curso, que é a ciência da computação. ;Aqui, o MEC permitiu e isso gerou uma diversidade muito grande. Não acho muito benéfico, pois deixa o profissional um pouco deficiente;, critica o especialista. Entretanto, reconhece que essa é a maneira como o mercado trabalha e oferecer um curso só não é uma estratégica competitiva.

Apesar de uma realidade cada vez mais tecnológica, o coordenador lamenta que o interesse nos cursos de tecnologia da informação não tenha aumentado como deveria. A maioria dos estudantes ainda busca cursos clássicos, como medicina e direito, na hora de escolher a profissão.

Segundo Vilson, no mercado de trabalho, falta visão a respeito da perspectiva de emprego que o mercado oferece nessa área: existem 20 mil vagas por ano não preenchidas. ;Recebo todo dia empresas tentando contratar alunos que não estão nem formados ainda. A maioria dos meus estudantes do quarto semestre pra frente estão estagiando ou estão empregados;, comenta.

Ele defende que a importância do curso vai além de um bom cenário empregador. A tecnologia está invadindo todas as áreas. Atualmente, existem robôs atuando na medicina e realizando cirurgias. Logo, existem oportunidades de emprego para o profissional da TI em todas as áreas.

Outra constatação que entristece o professor é a pequena presença das mulheres nos cursos de tecnologia, um fenômeno mundial, segundo ele. De acordo com Vilson, o número de mulheres dentro das turmas que se formam na Universidade Católica de Brasília ainda não chega sequer a 10%. ;Elas não se interessam;, acredita.

Contudo, Vilson alerta que esse cenário não será eternamente dessa maneira. Em algum momento, haverá um equilíbrio entre a busca de candidatos e a quantidade de pessoas interessadas.




;Recebo todo dia empresas tentando contratar alunos que não estão nem formados ainda. A maioria dos meus estudantes do quarto semestre pra frente estão estagiando ou estão empregados;
Vilson Hartmann












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