Reconstituições em São Paulo

Reconstituições em São Paulo

postado em 09/09/2018 00:00
 (foto: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP)/Divulgação)
(foto: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP)/Divulgação)

Outros pesquisadores brasileiros têm se valido da tecnologia para preservação e estudo de peças, sejam elas múmias, vasos cerâmicos, ossadas humanas ou de dinossauro, por exemplo. No ano passado, uma equipe de cientistas publicou, na revista Cretaceous Research, um artigo descrevendo a reconstituição digital das articulações e dos músculos do Montealtosuchus arrudacamposi, um réptil de 1,7m descoberto em Monte Alto (SP), em 2004. O fóssil de 80 milhões de anos, considerado o ;elo perdido; entre os crocodilos pré-históricos e os modernos, ganhou vida graças a uma parceria entre o Museu de Paleontologia de Monte Alto e o Instituto de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), com a colaboração do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI) e do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), ambos em Campinas.

Os ossos do Montealtosuchus arrudacamposi foram tomografados na FM-USP. As imagens, então, seguiram para o CTI e o LNLS, onde foram tratadas com um software de reconstrução, o In Vesalius 3.0, desenvolvido pelo Núcleo de Tecnologias Tridimensionais do CTI, que também fez a impressão do crocodilo em uma máquina que imprime objetos 3D por meio da deposição, camada por camada, de um tipo de resina plástica. ;O arquivo da tomografia de Montealtosuchus tem por volta de 1,3 mil fatias com 0,6mm de espessura, cada. Por meio de softwares para tratar imagens de tomografia, os ossos foram desarticulados e, novamente, articulados virtualmente na posição mais plausível para demonstrar o modo de locomoção desse animal em vida;, conta Sandra Simionato Tavares, diretora do Museu de Paleontologia de Monte Alto.

A paleontóloga, que participou da descoberta do Montealtosuchus arrudacamposi e é autora principal do artigo publicado no Cretaceous Research, conta que o conjunto de altas tecnologias ; tomografia computadorizada, ressonância magnética, impressão 3D e microscopia eletrônica de varredura, entre outros ; está permitindo que os pesquisadores conheçam mais sobre indivíduos fossilizados. ;Através de imagens virtuais do fóssil, é possível elaborar inúmeras possibilidades de estudo desse material, como cortes em diversas partes da estrutura digital, o que ajuda a entender sobre a estrutura interna do organismo fóssil analisado;, exemplifica. ;Paleontólogos se valem dessa tecnologia para reconstrução de partes como cérebro, aparelho auditivo, sistema respiratório, e para interpretar como eles funcionavam em um animal extinto há milhões de anos.;

A diretora do Museu de Paleontologia de Monte Alto também revela que, por meio de parcerias com hospitais e clínicas que têm tomógrafos nas instalações, já foi escaneada uma série de fósseis que compõem o museu. ;Eles foram impressos pela equipe do Núcleo de Tecnologias Tridimensionais do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, de Campinas, e estão auxiliando nos novos estudos com os fósseis de Monte Alto. Estudos do sistema respiratório de outros crocodilos do acervo estão sendo desenvolvidos utilizando as altas tecnologias;, diz. (PO)


Palavra de especialista

;O acervo do museu exposto ao público é composto, além de exemplares fósseis, por réplicas produzidas por meio de impressão 3D dos exemplares que estão em estudos e que não podem ser expostos. Também são disponibilizados ao público impressões 3D de reconstruções em vida de animais dinossauros e animais que conviveram junto com eles. As impressões 3D são disponibilizadas para que os visitantes possam ter um contato mais direto com a paleontologia, especialmente para pessoas que têm alguma deficiência visual. Elas permitem que uma réplica de um fóssil encontrado, por exemplo, em Monte Alto, possa ser exposta em outras instituições, contribuindo, dessa forma, para popularização da paleontologia para diversos grupos sociais, descentralizando o conhecimento e universalizando o patrimônio científico.;

Sandra Simionato Tavares, paleontóloga e diretora do Museu de Paleontologia
Professor Antonio Celso de Arruda Campos, em Monte Alto (SP)

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