Evidências mais antigas da produção de queijo

Evidências mais antigas da produção de queijo

postado em 21/09/2018 00:00
 (foto: Sibenik City Museum/Divulgação
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(foto: Sibenik City Museum/Divulgação )


Pesquisadores americanos descobriram evidências da mais antiga produção de queijo do Mediterrâneo. Eles detectaram ácidos graxos em fragmentos de cerâmicas encontrados em sítios arqueológicos croatas. Acredita-se que a produção de queijo e outros produtos lácteos ajudaram na expansão humana pela Europa. Esses produtos estão associados à disseminação da agricultura por todo o continente, processo que teria começado há 9 mil anos.

Até então, os indícios de produção de queijos no Mediterrâneo remontam ao início da Idade do Bronze, há cerca de 5 mil anos. A equipe americana analisou isótopos estáveis de carbono de ácidos graxos preservados em fragmentos de duas aldeias neolíticas na costa da Dalmácia, Pokrovnik e Danilo Bitinj, a leste do Mar Adriático, e encontrou sinais mais antigos.

;Essa pesquisa apresenta a primeira evidência da produção de queijo através da identificação de estágios de fermentação do leite em produtos específicos encontrados na região do Mediterrâneo há mais de 7 mil anos;, ressalta, em comunicado, Sarah McClure, pesquisadora da Universidade da Pensilvânia e uma das autoras do estudo, publicado recentemente na revista Plos One.

Expansão geográfica
Para os autores, os dados indicam que a produção de queijo se estabeleceu no Mediterrâneo há 7.200 anos, no Neolítico Médio, 500 anos antes dos fermentados, que eram facilmente armazenáveis, e pode ter se transformado em importante fonte de nutrição para indivíduos de todas as idades nas primeiras populações agrícolas.

Eles sugerem, assim, que a produção de queijo e a tecnologia associada à cerâmica foram fatores-chave para a expansão dos primeiros agricultores para o norte e o centro da Europa. ;Supomos que a produção de leite e queijo entre os primeiros agricultores da Europa reduziu a mortalidade infantil e ajudou a estimular mudanças demográficas que impulsionaram as comunidades agrícolas a se expandirem para latitudes setentrionais;, frisa McClure.

As duas aldeias onde os fragmentos foram encontrados eram ocupadas entre 6000 e 4800 antes de Cristo e preservam vários tipos de cerâmica da época. Os investigadores também detectaram indícios de armazenamento de carne e peixe. Eles acreditam que os moradores parecem ter usado tipos específicos de cerâmica para a produção e conservação de diferentes alimentos, sendo os resíduos de queijo os mais comuns.

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