Debate tem acusações, tensão e dedo em riste

Debate tem acusações, tensão e dedo em riste

Debate promovido pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília colocou frente a frente, pela última vez no primeiro turno, candidatos ao Palácio do Buriti. Ataques, propostas e denúncias marcaram o evento realizado a cinco dias das eleições

» ALEXANDRE DE PAULA
postado em 04/10/2018 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Sete candidatos ao Palácio do Buriti se enfrentaram cara a cara pela última vez no primeiro turno ontem. Às vésperas da votação de domingo, o debate, promovido pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília, marca um dos momentos mais quentes da corrida eleitoral de 2018. Durante 2h20, os candidatos responderam a questionamentos espinhosos, atacaram e apresentaram propostas para a população, que teve a oportunidade de conhecer mais detalhadamente as posições de cada concorrente ao GDF. A hashtag #DebateCorreio ocupou o primeiro lugar entre os assuntos mais comentados em Brasília no Twitter em quase toda a transmissão.

Alberto Fraga (DEM), Eliana Pedrosa (Pros), Fátima Sousa (PSol), Ibaneis Rocha (MDB), Júlio Miragaya (PT), Rodrigo Rollemberg (PSB) e Rogério Rosso (PSD) participaram do debate. O Correio convidou para o encontro os candidatos ao Palácio do Buriti filiados a partidos que tenham ao menos cinco representantes no Congresso Nacional ; como obriga a legislação eleitoral.

A saúde foi um dos temas mais abordados no encontro. Foram diversas críticas ao Instituto Hospital de Base e à gestão de Rodrigo Rollemberg (PSB). O próprio governador chegou a reconhecer que a saúde era, de fato, um dos maiores problemas do DF. Denúncias e condenações também se destacaram ao longo da transmissão. Candidatos trocaram acusações em diversos momentos. Assuntos relevantes, como educação e segurança pública, ficaram de lado.

No início do debate, o deputado federal Alberto Fraga protagonizou um momento embaraçoso. Ao cumprimentar Ibaneis Rocha, o parlamentar derrubou um microfone, que teve de ser trocado. Os dois reagiram com bom humor. Ibaneis, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no DF, foi o principal alvo dos adversários. De todos os lados, sobraram farpas para o candidato do MDB, acusado de abuso de poder econômico e compra de votos durante a campanha. De Fraga a Fátima Sousa, todos miraram no advogado. Ibaneis registrou crescimento expressivo e lidera as mais recentes pesquisas de opinião.

Eliana Pedrosa e Ibaneis foram responsáveis por um dos momentos mais quentes do debate. A ex-distrital questionou o advogado sobre um vídeo em circulação nas redes sociais em que Ibaneis promete, caso seja eleito, construir casas derrubadas pela Agefis com o próprio dinheiro. O concorrente pelo MDB reagiu. Respondeu que Eliana está ao lado do que há de mais podre na política de Brasília e que se envergonhava de ter sido amigo dela em outros momentos. A ex-distrital pediu direito de resposta, mas teve a solicitação negada pela produção do debate. Rogério Rosso fez referência ao embate em outro momento e disse que jamais um postulante ao GDF poderia tratar uma mulher como Ibaneis fez com a adversária.

Dobradinhas
Alguns candidatos preferiram evitar os ataques mútuos e trocaram afagos e elogios durante questionamentos e comentários. Rogério Rosso e Eliana Pedrosa permaneceram em clima amistoso durante todo o debate e aproveitaram momentos juntos para apresentar propostas e ressaltar qualidades. Júlio Miragaya (PT) e Fátima Sousa (PSol) adotaram o mesmo tom.

A dobradinha mais inusitada, no entanto, ficou a cargo do petista Miragaya e Alberto Fraga. O democrata não poupou elogios ao petista ao responder pergunta sobre desemprego e renda. Fraga acabou sendo usado também para defender o ex-presidente Lula quando Miragaya criticou o Judiciário por quebrar o sigilo da delação do ex-ministro Antonio Palocci dias antes da votação do primeiro turno.

Anteriormente, Fraga havia criticado a Justiça ao comentar a condenação a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto por receber suposta propina de R$ 350 mil quando era secretário de Transporte do governo de José Roberto Arruda (PR). Fraga disse que o juiz responsável pela decisão era ativista LGBT. O deputado negou ser preconceituoso e declarou que ;pré-condenar é que é preconceito;. A temática LGBTI voltou à tona depois quando Rosso foi questionado se a defesa dos valores da família tradicional cristã não atrapalhavam o desempenho na campanha. O quinto e último bloco terminou às 19h30 com as considerações finais de cada concorrente.




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