Maior risco está na política, diz BC

Maior risco está na política, diz BC

» CAMILLA VENOSA ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 04/10/2018 00:00
 (foto: Beto Nociti/BCB - 29/8/17)
(foto: Beto Nociti/BCB - 29/8/17)


Instabilidade no cenário político é o maior fator de risco para o sistema financeiro brasileiro. Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira (REF), divulgado pelo Banco Central (BC), mesmo com aspectos da macroeconomia controlados, o risco político é alto e deve-se à incerteza do mercado sobre o que vem pela frente, ou seja, quem será eleito presidente da República e quais reformas serão implantadas para resolver o problema fiscal do país.

O relatório aponta que o sistema financeiro brasileiro está capitalizado e tem liquidez, ou seja, os valores investidos são recuperáveis a curto prazo. E, mesmo com a taxa básica de juros (Selic) no menor nível da história, a rentabilidade aumentou. Porém, nem com variáveis importantes da economia sob controle, a corrida política deixa de preocupar os investidores.

Durante a coletiva de imprensa para apresentação do parecer, o diretor de Fiscalização do BC, Paulo Souza, garantiu que fator de risco político é algo normal durante a corrida eleitoral por conta da dúvida sobre o desdobramento do resultado. ;O risco político é alto, mas isso é comum em um cenário de eleição. O risco é em relação a quem vai ser eleito e qual reforma ele vai implantar no aspecto fiscal, porque isso terá um impacto na taxa estrutural de juros. Assim, o próprio sistema financeiro fica mais apreensivo;, afirmou o diretor.

Apesar do discurso do diretor do BC, especialistas explicam que a variação das pesquisas eleitorais se reflete na bolsa de valores e na taxa de juros. Para o economista Sílvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, o risco também é fruto das diferentes propostas entre candidatos. ;O Brasil está em uma situação muito difícil, porque depende do avanço de algumas reformas, como a da Previdência. E depende do resultado (das eleições) para ver se continua com uma agenda de reformas ou vai se voltar para uma gestão desenvolvimentista, que não visa tanto as reformas;, explicou. O Relatório de Estabilidade Financeira é publicado semestralmente pelo Banco Central desde 2002 e faz um mapa do mercado financeiro brasileiro.

Dados


Outro fator que chamou a atenção na apresentação do REF foi o risco cibernético, que consiste no vazamento de dados e no hackeamento de sistemas. A preocupação com esse fator cresceu com o processamento de dados em nuvem e o blockchain, que funcionam como listas de arquivos ligados por criptografia. Mas, segundo Paulo Souza, o Banco Central já tem uma discussão profunda com agentes, e os avanços tecnológicos apenas intensificaram uma discussão internacional em torno do assunto.

;O Banco Central quer que as instituições financeiras tenham uma política definida para o risco cibernético. Os bancos são obrigados a realizar reportes. E, dependendo do processamento, precisam passar por uma revisão. Não é algo que vamos resolver sozinhos. Quando uma instituição passa por um incidente, eles têm um prazo para transmitir essas informações para nós;, comentou o diretor.

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