Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

por Severino Francisco severinofrancisco.df@dabr.com.br (cartas: SIG, Quadra 2, Lote 340 / CEP 70.610-901)
postado em 21/10/2018 00:00
Passo de civilização

A uma semana da votação está tudo decidido, sem que os candidatos tenham apresentado as propostas de governo e sem qualquer debate. É muito frustrante. São muito estranhas as eleições na era das redes sociais. Não é preciso nenhum projeto. As pesquisas indicam que a maioria dos eleitores não mudaria de maneira alguma o voto diante da revelação de qualquer fato. O candidato torna-se uma figura digna de veneração religiosa.

Eu acho que a velocidade, o frenesi e a agilidade das redes sociais não fazem bem à democracia. Em compensação, favorecem as fake news, a mentira deslavada e a manipulação das massas. Cria-se uma euforia sem o menor fundamento. Alça-se candidatos que têm como maior trunfo a habilidade para escrever mensagens em 147 toques. Como é que você pode escolher alguém que vai comandar o destino de uma nação de maneira tão leviana?

Mesmo sem um vencedor, a agenda equivocada já fez inúmeras vítimas. Não adianta os candidatos proclamarem o respeito pela democracia. As instituições responsáveis pela defesa da democracia precisam funcionar. O processo eleitoral reflete o nível de ignorância, desconhecimento e deseducação do país. Qualquer ignaro se acha no direito de fazer reformas educacionais. É um sinal claro da arrogância nascida do obscurantismo. Ora, quem faz reformas educacionais são os pedagogos, os professores e os pesquisadores.

Outro exemplo é o flerte com a intervenção militar. É muita ignorância da história mais recente do país. O período do regime de exceção foi de censura, restrição de liberdades e tortura, que é considerado um crime hediondo contra a humanidade. A diferença era que os militares de 1964 eram patriotas e nacionalistas.

Os pesquisadores mais sérios têm mostrado que o problema da segurança no Brasil depende de um sistema integrado de investimentos nos serviços de inteligência. Não será resolvido se cada um comprar uma arma.

O Brasil está moralmente enfermo, os ratos estão soltos, existe muita gente com a disposição de roubar. Era preciso que o país desse um passo à frente rumo à civilização neste momento tão delicado.

Mas o Brasil não vai avançar com uma agenda tão atrasada. A pacificação do país tem de ser feita com respeito aos direitos humanos, respeito pela democracia, valorização da educação, valorização da cultura, oportunidades de emprego e cultura da paz.






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