Visto, lido e ouvido

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Desde 1960 Circe Cunha (interina) / circecunha.df@dabr.com.br

postado em 01/12/2018 00:00
Educação, o maior desafio

Um giro pelas escolas públicas das principais capitais brasileiras dá uma mostra da situação de abandono e descaso com que a questão da educação é tratada por seguidos governos. Buscar uma explicação racional para a violência recorrente, entre alunos e entre eles e professores, se torna desnecessário, uma vez que as escolas, bem ou mal, reproduzem intramuros o mundo exterior. Só no estado de São Paulo, de longe o mais rico do país, todos os dias dois professores registram boletins de ocorrência, relatando agressões dentro de sala de aula. Em Brasília, a situação não é diferente. O mais curioso é que a questão da violência dentro das escolas não escolhe regiões centrais nem periféricas. Todas, de igual maneira, registram os mesmos e tristes casos.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 12,5% dos professores brasileiros confessaram ter sido vítimas de violência ou de intimidação de alunos, pelo menos uma vez por semana. O problema da violência contra o professor, por seus aspectos mais profundos, acaba por repercutir diretamente em todo o sistema de educação, criando profissionais desmotivados, com sérios problemas de saúde física e mental. Não raro, eles pedem afastamentos prolongados ou mesmo desligamento da instituição.

A questão de exercer a autoridade, fundamental para o desenvolvimento de todo o amplo e laborioso processo de ensino e aprendizagem, requer, de antemão, do professor, enfrentar o dilema de como exercitá-la, numa sociedade impregnada pelos mais diversos tipos de violência e em que a autoridade é vista como elemento indutor da agressividade. Além disso, há tolerância extrema de muitos pais para o comportamento impróprio dos filhos. Se a escola entra em contato, a reação é abarcar a criança como se educar fosse um castigo que não pode pesar mais ainda na balança da ausência. Pais omissos e ausentes compensam o peso na consciência com a permissividade. Há também uma boa gama de pais que não educa por preguiça. Educar é uma tarefa contínua, habitual, trabalhosa e compensadora.

Existem educadores que não negam a existência de um certo quantum de violência produtiva na relação professor-aluno. E esse elemento se torna condição sine qua non para o funcionamento e aefetivação da instituição escolar. É sintomático observar, contudo, que nas escolas, onde a disciplina é levada a sério e as mais leves faltas não são toleradas, são as que apresentam rendimento escolar mais significativo e os próprios alunos sentem maior confiança e segurança.

No processo de ensino-aprendizagem, o fator disciplina é essencial. Disciplina, por sua vez, só se obtém com o exercício da autoridade. Ocorre que a autoridade, ao ser exercida de modo efetivo, acaba resultando em conflitos de interesses que, normalmente, entre nós, descambam para a violência. Esse é o dilema atual de nossas escolas públicas, inseridas e imersas até o pescoço numa sociedade extremamente violenta e desigual.




A frase que foi pronunciada

; É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.;
Immanuel Kant




Sem limites
; Dois minutos para se ambientar em um quarto escuro são suficientes. Assim acontece com a corrupção. Quando a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse que Pezão operou em um esquema de corrupção próprio dá a impressão de que o modus operandi era sempre o mesmo entre todos os corruptos. Pezão era diferente porque, segundo dados documentados, em dezembro, ele exigia um adicional como 13; de propina.


Compartilhe!
; Nessa segunda-feira, 3 de dezembro, um concerto gratuito imperdível. Momentos memoráveis da obra de Haendel, O Messias. Quem convida é o Madrigal de Brasília, da Escola de Música (L2 Sul, Quadra 602), sob a regência de Isabela Sekeff. O grande homenageado da noite será o maestro Emílio de César, regente que viu a cidade nascer e que formou grande parte dos músicos da capital. Veja o cartaz no blog do Ari Cunha.


Prevenção
; Mutirão de Prevenção ao Câncer de Pele, organizado pelo Hran, das 9h às 15h, hoje. Com exame preventivo de graça.


Solução
; Podem falar o que quiser dos chineses, mas justiça seja feita: uma vez contatados para fechar algum negócio, são incansáveis em atender cada vez melhor. Vários contatos diários, soluções rápidas, apresentação de alternativas, tudo para resolver.





História de Brasília
O nosso trabalho em defesa da cidade não poderia deixar de apresentar ao prefeito Sette Câmara um balanço da situação em Brasília. Este é o nosso intuito, na coluna de hoje. (Publicado em 7/11/1961)





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