Engolidos por túmulo durante um enterro

Engolidos por túmulo durante um enterro

Acidente aconteceu durante o enterro de uma mulher de 85 anos, em Taguatinga. No momento em que parentes davam as mãos para a última oração, parte de um jazigo vizinho desabou e duas pessoas caíram no buraco. Elas ficaram feridas

» SARAH PERES Especial para o Correio
postado em 05/01/2019 00:00
 (foto: Fotos: Arquivo Pessoal)
(foto: Fotos: Arquivo Pessoal)

Uma família do Distrito Federal teve o momento de despedida de um ente querido interrompido por um acidente. Enquanto as 30 pessoas davam as mãos para rezar o último Pai Nosso, a terra do túmulo vizinho cedeu e duas pessoas caíram no buraco. ;O cheiro era terrível, completamente insuportável. Isso fez com que o adeus da minha mãe acabasse abruptamente;, contou Jerônimo Gonçalves Freitas, 59, pai de um dos feridos.

O caso aconteceu na manhã de ontem, no Cemitério de Taguatinga. A família velava o corpo de Rosalina Gonçalves Freitas, 85, que morreu em decorrência de complicações da doença de Alzheimer. ;Estávamos todos de mãos dadas, chorando e completamente abalados. Como se não bastasse todo o sofrimento que vivemos em decorrência da doença e da morte da minha mãe, tivemos que passar por esse constrangimento;, ressaltou o serralheiro Jerônimo. O filho dele, Renato Freitas, 16, caiu com a madrinha, Geminiana Maria de Jesus Neta, 38. A cova é destinada a três caixões. Havia um no espaço.


A prima do jovem, a autônoma Simone Freitas Cabral, 37, conta que ele conseguiu sair da cova sozinho, mas com escoriações. ;Como ele é novo, saiu sem muita dificuldade. Mas precisou ajudar a madrinha, assim como os outros parentes. Todo o momento foi interrompido e, com isso, sequer tivemos condições de finalizar a cerimônia como queríamos;, lamenta a moradora da Colônia Agrícola Samambaia.

Ambulância atola
Após o acidente, a família acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Quando seguia até a cova, a ambulância atolou em outro buraco. ;Quando vimos que até o veículo estava caído, saímos do espaço e procuramos um chão de cimento, por medo de cairmos também. A minha mãe teve de ser enterrada às pressas, sem o respeito com os nossos últimos momentos ao lado dela;, comentou a servidora pública Regina Maria Gonçalves Freitas, 62.


Os feridos decidiram não ir a um hospital. Renato alegou não ter se machucado e, conforme avaliação dos socorristas, estava bem. A madrinha dele, Geminiana, sofreu uma luxação no pé. No fim da tarde de ontem, ela foi para o hospital, porque não conseguia pisar no chão. ;Chamamos o Samu novamente e nos disseram que não era caso de uma fratura. Mas a levamos para a unidade parar ser medicada e evitar novos problemas;, explicou Celson de Brito, 49, amigo de Geminiana e tio de Renato.

Celson registrou o boletim de ocorrência na 17; Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte). Com o documento, vai ingressar com uma ação na Justiça contra a empresa responsável pelo cemitério. Em nota, a concessionária afirmou que arcará com todos os custos médicos, como consultas e remédios. Assegurou que o ;problema; está sendo investigado e o reparo da estrutura será realizado.


Para saber mais

Problemas recorrentes

Um relatório do Tribunal de Contas do DF (TCDF), divulgado pelo Correio em 20 de dezembro, mostra que seis cemitérios do Distrito Federal administrados pela empresa Campo da Esperança Serviços Ltda. apresentam uma série de irregularidades. Estão na lista as necrópoles da Asa Sul, de Brazlândia, Taguatinga, Sobradinho, Planaltina e do Gama. Alguns problemas vêm desde a assinatura do contrato, assinado em 2002, entre o Executivo local e a concessionária.

;Em visita aos seis cemitérios do DF, realizada em maio de 2017, o corpo técnico do TCDF confirmou que ainda havia falhas na identificação e conservação de túmulos; problemas nos muros e cercamentos das necrópoles; falhas na construção de ossuários gerais e individuais, e de cinzários;, frisou o relatório. Conforme o TCDF, ao menos 12 destas falhas precisam ser solucionadas urgentemente. Parte das adversidades persistem há pelo menos 10 anos.



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