Desigualdade de gênero impacta PIB

Desigualdade de gênero impacta PIB

postado em 09/03/2019 00:00
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho gera uma perda de 15% nas economias dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com dados do Banco Mundial, divulgados pela ONU Mulheres, o desenvolvimento profissional delas causaria um impacto de 3,3% no Produto Interno Bruto (PIB): seriam cerca de R$ 382 bilhões a mais na economia.

;Mulheres do mundo inteiro se deparam com obstáculos para o acesso a direitos econômicos, a trabalho decente e a proteção social;, diz Ana Carolina Querino, representante interina da ONU Mulheres no Brasil. ;O empoderamento econômico das mulheres é uma das estratégias capazes, não somente de remover obstáculos, mas de criar as condições para que elas possam desenvolver sua potencialidade no mundo do trabalho com valorização dos seus talentos, direitos, oportunidades de ascensão, remuneração e benefícios adequados à sua capacidade produtiva.;

Para a ONU, empresas empreendedoras e lideranças empresariais são agentes decisivas para a igualdade de gênero, o trabalho decente e o desenvolvimento sustentável. ;Não é possível levar essa agenda adiante sem o engajamento de grandes empresas no processo. Elas têm o poder tanto de garantir oportunidades iguais no ambiente de trabalho quanto de influenciar a cadeia de fornecedores e as comunidades com as quais se relacionam para que façam o mesmo;, complementa Querino.

A professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) Tânia Mara explica que a discriminação das mulheres no mercado de trabalho sempre existiu, mas houve uma época em que o debate estava avançado. Entretanto, retrocedeu. ;Houve um refluxo. As empresas, na crise econômica, tiveram de cortar funcionários e, nessas horas, os que dão menos despesas e menos ;trabalho; ficam;, comenta.

Segundo Tânia, essa diferenciação ocorre porque o preconceito em torno da mulher ainda existe, seja porque ela engravida e precisa tirar licença, seja porque necessita acompanhar o filho numa consulta, por exemplo. ;Não que homens também não sejam pais. Mas, pelo sistema em que se vive, essa tarefa fica, na maioria das vezes, nas costas da mulher. Sobretudo as atividades domésticas. A dupla jornada delas ainda acontece;, critica.

Para a especialista, é preciso que debates sejam mais intensos, e o governo, com empresários, pense em políticas públicas. ;A equidade de gênero, consequentemente, se reverterá em um ambiente de trabalho mais qualificado, justo, menos competitivo e mais harmonioso;, frisa. (GV)

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