Um basta ao abuso de poder sobre freiras

Um basta ao abuso de poder sobre freiras

postado em 11/05/2019 00:00
 (foto: AFP
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(foto: AFP )


Um dia depois de editar decreto que obriga padres a denunciarem casos de assédio e violência sexuais na Igreja Católica, o papa Francisco tratou ontem de outro tema delicado que tem abalado a Santa Sé: a escravidão e exploração das freiras. Ao receber cerca de 800 madres superioras, no Vaticano, o pontífice instou as religiosas de todo o mundo a se recusarem a se submeter aos abusos de poder do clero. O papa insistiu que a opção por uma vida de dedicação não as torna escravas. ;Por favor, serviço, sim, servidão, não!”, ressaltou.

;Estou ciente dos problemas, não apenas do abuso sexual das freiras, mas também do abuso de poder;, assinalou o pontífice argentino. Nos últimos meses, a Igreja Católica, que tem aproximadamente 700 mil freiras mundo afora, foi alvo de investigações jornalísticas sobre o tema.

;Vocês não se tornaram freiras para serem servas de um clérigo!”, frisou o pontífice, que pediu um esforço mútuo para pôr fim a essa cultura, em particular pelas superiores. ;Se você quer ser uma empregada, faça com os doentes. Nesse caso é um serviço;, acrescentou.

Também ontem, Francisco inaugurou uma exposição fotográfica no Vaticano por ocasião do 10; aniversário da rede internacional de freiras Talitha Kum, que luta contra o tráfico de pessoas e a prostituição. O diálogo entre a vida religiosa e a mundana se intensificou desde o início do século 21 em todo o mundo até a criação, em 2009, da Talitha Kum, cujo lema é ;Jovem, levante-se;.

Para celebrar a data, foi organizada uma mostra de registros da americana Lisa Kristine, que ilustra o trabalho dessas freiras em todos os continentes durante suas atividades com as vítimas. A raiva de uma jovem nigeriana obrigada a se prostituir, o choro dos meninos escravos na América Central, o desespero dos migrantes na fronteira entre México e Guatemala ou o abandono sofrido pelas jovens mulheres exploradas na Tailândia são algumas das muitas faces do grave fenômeno retratado pela fotógrafa.

De acordo com informações do Vaticano, a rede envolve 2 mil religiosas e conta com colaboradores em 76 países. Entusiasta dessa batalha, o papa Francisco dedicou, no mês passado, as meditações das estações da Via-Crúcis no Coliseu à irmã Eugenia Bonetti, pioneira da ajuda às prostitutas na Itália.

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