Desemprego assusta brasilienses

Desemprego assusta brasilienses

postado em 18/05/2019 00:00
 (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)

No primeiro semestre de 2019, o Distrito Federal atingiu o maior índice de desemprego dos últimos sete anos: mais de 233 mil brasilienses procurando por uma oportunidade. Este número, que representa 14,1% da população da capital, está 1,4 ponto percentual acima da média nacional, que ficou em 12,7%. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em comparação com o último semestre de 2018, o aumento de desocupação no DF cresceu 2 pontos percentuais ; de 12,1 foi para 14,1%. O aumento também ocorreu em outras 13 das 27 unidades da Federação. Goiás, estado onde está sendo inaugurado o supermercado, apresentou a segunda maior variação do Brasil. A quantidade de pessoas sem trabalho saltou de 8,2% para 10,7%, o equivalente a quase 400 mil pessoas.

A conexão entre o estado goiano e a capital brasileira por meio da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride) atinge, principalmente, o âmbito socioeconômico e, por isso, a criação de empreendimentos nas cidades próximas precisa ser incentivada. É o que afirma o especialista em gestão de pessoas e estratégias governamentais do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB) Jorge Fernando Valente de Pinho. ;É necessário estabelecer estratégias para que estas cidades comecem a desenvolver economia própria, cercando Brasília com um cinturão produtivo para dividir a carga e aliviar um pouco dessa pressão sobre o DF;, avalia.

Subutilização
A PNADC também revelou outro dado preocupante, relacionado à taxa de subutilização, ou seja, que considera as pessoas que trabalham menos de 40 horas por semana e as que estão aptas, mas não conseguem procurar por emprego. São 407 mil brasilienses incluídos nesse grupo ; 23,3% da população, a maior taxa da história da capital. A Secretaria de Trabalho do DF (Setrab) aponta como principais motivos para o aumento da desocupação a troca de governo e a redução de 30% dos cargos comissionados, além da paralisação do setor produtivo devido à crise econômica.

De acordo com o chefe da pasta, João Pedro Ferraz, o governo trabalha para abrir postos de trabalho de duas formas. ;Os esforços estão concentrados em andamento de obras públicas e estímulo para microempreendedores. A instrução é concluir todas as obras e dar seguimento às licitações pendentes e, para o setor produtivo, diminuir burocracias e facilitar a tramitação dos pedidos dos pequenos empresários.;

Outro levantamento, feito pela Companhia de Planejamento (Codeplan) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aponta um percentual ainda maior. Entre fevereiro e março de 2019, a taxa de desemprego total no DF aumentou de 18,7% para 19,5%. De acordo com a área técnica da Codeplan, a assimetria entre os índices das duas pesquisas ocorre devido às diferenças de metodologia e abordagem utilizadas. Na avaliação local, por exemplo, investiga-se a desocupação oculta, desconsiderando-se os bicos como empregabilidade.

Lidiane da Silva Moraes, 37 anos, está desempregada há quatro anos. Formada em enfermagem, mas sem experiência na área, foi até a Agência do Trabalhador tentar uma vaga. ;Atualmente, meu esposo é quem segura as pontas financeiramente. Nesses anos, eu entreguei currículo e fiz de tudo, mas nem me chamam para processos seletivos.;




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